19 de junho de 2007

sinceridade


Passo primeiro - Não há limitações indisponíveis para o acrescimo de liberdade. Há sinuosidades por esse caminho. Que seja! Da parte do ineditismo, fica a ansiedade de que o novo não é mais original. O próximo passo é ficar na elucubração de outros movimentos que façam rodar o tempo. Desequilibrar a ordem do que se chama espaço para atrair a atenção do olhar. Sem definições. Puramente a morosidade assistida. Ela não sabe dele que não consegue ouvir o outro. Desistir total da tal quadrilha*. Amanhecer com fones (ou fomes - com ela me inspira) nos ouvidos, escutando o relógio.

Disse que não lembrava mais do sonho, estava enrolado em lençóis. Estampados. Mais de um. E não tinha que fazer sentido mesmo. Era pra fazer sensibilidades.



"
Pense que eu sou um caboclo tolo boboca
Um tipo de mico cabeça-oca
Raquítico típico jeca-tatu
Um mero número zero um zé à esquerda
Pateta patético lesma lerda
Autômato pato panaca jacu

Penso dispenso a mula da sua ótica
Ora vá me lamber tradução inter-semiótica"**

HELP moço Camelo!

Disseram por aí que se faz necessário nesse mundo uma tal de pró-atividade! Ignorantes ainda acreditam na beleza das relações... do lugar priviliegiado que se deve ter o sonho. Pode-se dizer novamente, ignorante, sem tal pensamento estratégico para metas de projetos de vida.
Algo como psicologês para dar justificativas. As criatividades estão lançadas para absorver outras proporções imagéticas. Misticar habilidades de encher e povoar os lugares de pétalas, ou talvez aromas... e o"eu" aqui ignorante tenho até sorriso no rosto

"Now were Falling into the night
Um bom encontro é de dois"***

Então, o amor faz parte da saída! liberdade(?!)
e continua...

Ilustração :: Vânia Medeiros

* Título do poema de Carlos Drummond de Andrade
** Trecho da música Esteticar de Tom Zé
*** Trecho da Música Boa Sorte/Good Luck de Vanessa da Mata

23 de maio de 2007

Homens em um fabuloso destino


Em olhares, são certeiros... movimentam-se como se por andar em ambientes de delicadeza firme ou sensibilidade certeira. Alimentam destinos não-traçados e não se eximem do desejo de liberdade. Há um acesso de carinho, há um ninho de verdade que é ainda mais bonito quando vem acompanhado dos seus mais belos sorrisos. Amor... eles acreditam nisso! e eu acredito neles!

"Olha mais pra mim
Dentro de meu sentimento e tudo de mim Seja meu lar, uma canção, um carinho Uma frase de paz Te acorda! É a dança, o momento, a roda que vai"*

  • De repente, assim num toque. Um olhar delicado, um toque delicado. Um bom perfume. Ele é do branco, tipo do ar de compatibilidade e clareza de caminhos. Ele ama e de forma tão profunda quanto é o próprio desafio de ser. Ensina a olhar de verdade, duvida do se questionar e se impõe. Ele é beleza no caminhar... Quando de suas fraquezas, não se limita, nem se inibe. Maior do que qualquer sensação de invisibilidade. É próximo. E, talvez, seja o próprio desafio de ser o que o faz amor!
  • Passa diante de um caminho tranqüilo e no fundo tem uma imensa vontade de estar no turbilhão. Emoção... se o que te move é a liberdade, então te jogas na fissura de um furacão de desejos. É uma criança de aprender, é um carinho e é de verdade! Laranja, pressupõe energia e simpatia no seu estar e faz os outros serem felizes sempre. Com o outro... caminha por caminhos de vontade e dúvidas. Ama fazendo-nos rir. Bingo! Encontrou a fórmula mágica do convívio e oscila entre as forças da fragilidade e da fraternidade.
  • Carregou-me no colo de poesias. Uma vez que não se limita, vai se expandindo na dimensão que o próprio universo é o maior paradigma. Tanto que parece estar escrito nas estrelas que um dia o pensamento dele se torna sonho e utopia – horizonte que costuma ser motivo de caminhadas. De sua confusão traz surpresas tais quais rosas e poesias. Ou uma música de Cazuza, ou um poema de Vinícius. Imprime carinho de forma doce. Vermelho! Ele é o observatório de detalhes e nariz de palhaço numa noite de sonhos. E, para deixar-me feliz, me deu poesias de colo.
  • Ele é particular. Suas máscaras são sinceras. Marca o espaço por onde anda como talvez as borboletas nunca consiga em seus vôos. Energia e liberdade são tão fundamentais como o ouvir e o falar. O diálogo. Atenção. Firmeza. Vontade. Inteireza. Azul. Uma conversa de olhos é clara, apertos fraternos de mão. Aumenta a vontade de outros cenários nessa cidade, desejo de diversão. Volume de som, mais cores, mesa de bar... amizade!

"A primeira noite que te viu entoar uma emoção Tanto calor em teu rosto Como em toda visão É o mundo, é a senha pra que eu te sentisse ali Força de um leão Venha de lá"*

  • Ele sempre me espera pra abraço
    com carinho sensível de irmão
    parece que o destino é um laço
    para ele que é flor e gratidão
    guerreiro na vontade de andar
    escolhas com leveza e esperar
    grande homem, com belo coração


    marrom da cor do velho
    viaja por suas próprias emoções
    peleja com esmero
    poesias com rimas de paixões
    caminha com fantasia
    por sua BELA compania
    aliando flores com razão


  • Corre. Se movimenta paciente e decidido pelas ruas, avenidas e largos da cidade. Direito, social e político. No fundo prefere a praça e a boemia das músicas de pandeiros e violão. Brilho do olhar é gracioso. Movimenta o corpo paciente e decidido, porém agora baila em espaços de sonhos, imaginações de artista. Toca pra ela cantar, coleciona idéias. Vivacidade se parece com seu caminho. É cinza o menino robusto, bonito de olhar de paz confortante. Mais adiante, de passos de simplicidade... amor, ele é amor!

  • Ele é sensibilidade. Afetividade em pessoa. Com personalidade e coragem parece ter a concreta sensação de que a vida não pode ser apenas costura de fatos. Acredita no amor e vê imagens claramente imóveis e ao mesmo tempo dinâmicas no seu cotidiano. Os sons completam sua amorosidade e não é mais nada a não ser a vontade de que a vida seja paz e costura de bons sentimentos juntos. Uma cena que pode ser paradigma ou seu espelho é o abraço. Amarelo! É a energia vibrante do companheirismo... e continua...

  • Na mais concreta das possibilidades ele surpreende a percepção do ser. Monumento que acolhe a paciência e a sensível atitude aparente. Timidez pode até ser arma, mas é o olhar o que realmente atribui a sua maior sedução. Conquista colo, carinho, afago. Verde de suas andanças, das suas estampas, dos gestos sinceros. Espera até um pouco mais tarde para o diálogo curto, um pouco de carinho, palavras de afeto e por fim, mil beijos. Sempre!


"Venha de lá
Anjo Suave, sem esperar
Grita que quer viver

Olha bem para mim..."*

  • Ele faz sonos. Assim como quem mergulha prudente por imaginações criativas, simbólicas. Como se a felicidade estive a passos à frente, encorpada em tons e notas musicais. Tudo enfileirado em escolhas organizadas e sensíveis na partitura do caminho que trilha. Ele faz imagens. Como se tivesse colocados sonhos em papéis, em telas de computador. Mágico, enfeitando o mundo com luzes de feições de sonhos! Ele, rosa, assimila o estar e captura em olhos... Ele é imagem e som!

  • Prefere sempre aceitar o que seu coração lhe diz. Dourado. Cor de sol, de praia no pôr-do-sol. Maresia. Mistério. Sorriso de expressão calma, música de Marcelo Camelo. Sou um pouco dele, paciente, criterioso e sensível. Ensina a se aceitar, se entrega com força e volta para dar o abraço que faltou. Sua principal militância é por aceitar a viver em paz e, assim, inteligente que é, adquire mais e mais formas com o tempo. Bonito... sorri e abraça!

  • Caetano estava certo. Existe um leãozinho nesse mundo que molha sua juba no mar displicentemente e pede colo como quem pede por viver m paz. Anda, caminha, distraidamente para o lugar que continua a escolher. Dispõe de vontades e saudades mobilizadoras. Mergulha paciente em águas de simplicidade... no fundo sua imaginação é que lhe move! E, por sorte ou alicerces da vida, ele faz cinema...

Esses moços... são esses meninos... de fabulosos destinos, de amores e amores! e ainda tem outros...

Ilustração: Vânia Medeiros

* Trechos da música Dança dos Meninos de Milton Nascimento

3 de maio de 2007

um amor a dois... em palavras!


Parado envolto a lençóis brancos, nunca tinha se olhado com aquele sorriso no rosto. Abriu o olho devagar, sentiu o odor que pairava no ar e tinha acabado de acreditar que a felicidade ainda estava a flutuar por aquela atmosfera ser arrependimentos, sem crimes, sem perdões. Ainda não conseguia ver o espaço totalmente, já que o sorrir lhe impedia de enxergar perfeitamente tudo. Extasiado, sentia cansaço gostoso no corpo com marcas de momentos anteriores que ainda lhe tomam todos os pensamentos. Cheira devagar as cobertas enroladas naquela cama. Abre os braços como se pudesse ainda apalpar a sensação que estava sentindo então. Quando cai na tentação de duvidar das suas emoções, respira profundamente e olha pra frente. Perto da porta, alguém simplesmente o observa como se o olhar pudesse dizer que nada era imaginação. "Bom dia!" dizia aquele olhar e estava satisfeito.

"Foi numa noite, igual a esta
Que tu me deste o teu coração
(...)
E no terreiro
O teu olhar, que incendiou
Meu coração".*

Seus olhos parecem pedir carinho, atendido com gosto. Parece que dançam de rosto colado, sem nunca deixarem de se tocar. Parece que a lierdade é aquele quarto e todas as possibilidades são abertura de póros e sensação de prazer intenso. A limitação era o azul claro que o céu refletia. Aquele instante era do toque. Do sentir a pele massagear o ego. Alimento para a sensação de inteireza e do olhar a beleza do estar. Como se tudo fosse um camplo florido e calmo.

Nada era tão bonito do que o trivial. Duas xícaras estavam na pia, dois talheres ainda sobre a mesa, dois chinelos perto do sofá, duas escovas de dente no banheiro, dois olhares de desejo, 4 mãos a tocar os corpos. Tinha-se plena certeza de que o prazer esta intrínseco ao caminhar a dois!

"Eu vi quando você me viu
Seus olhos buscaram nos meus
O mesmo pecado febril
Eu vi... pois é, eu reparei
Você me tirou todo o ar
Pra que eu pudesse respirar
Eu sei que ninguém percebeu
Foi só você e eu

Foi só por um segundo
Todo o tempo do mundo
E o mundo todo se perdeu"**

Sucumbia a qualquer pedido expresso. Noites eram imagens reveladas em alta resolução com cores vibrantes. Passaram em revista o sentido de paixão e, embebecidos de incertezas, nem pareciam pensar nas dúvidas que os circundavam. Os únicos pensamentos estavam voltados para qual a cor da casa que iriam comprar, qual o melhor lugar para férias de amor ou por que o tempo não pode paralisar enquanto estão juntos.

Ele relaxou certo do afago. Enquanto ouvia coxixos no ouvido sentia com gosto uma barba que lhe roçava carinhosamente o pescoço. Depois do beijo, lembrou de agradecer mais cuidadosamente por ser público-alvo da identidade visual do outro.

"Não dá pra esconder
Nem quero pensar se é certo querer
O que vou lhe dizer
Um beijo seu
E eu vou só pensar em você"***

No contato com a vicissitude que acomete as palavras pensara sozinho se "havia belezza alí ou era criatividade minha"**** ainda sonha e continua ...

Ilustração: Vânia Medeiros

* Trechos da música Olha pro céu de Luiz Gonzaga e José Fernandes (cantada por Ceumar)
** Trechos da música Cupido de Cláudio Lins (cantada por Maria Rita)
*** Trecho da música Pensar em Você de Chico César (cantada por Daniela Mercury)
**** Trecho da música de Liminha e Vanessa da Mata (cantada por Vanessa da Mata)

21 de abril de 2007

Lupa*


Relógio

Na parede do meu quarto tem um tempo que não para. Uma máquina que vive a girar, estática, num ritmo alucinantemente frenético. Ela nunca para. Na medida em que ela trabalha todas as outras coisas ao redor vão ganhando mais acúmulo de experiências. Por ela tudo envelhece. Essa máquina, presa na parede do meu quarto, quase sempre é imperceptível. Talvez pela minha recusa aos números. Se ao menos a contagem do tempo fosse em palavras... O fato é que quase nunca me dou conta de que seu trabalho revela a mutação constante dentro de mim, as transformações sensíveis que acontece em tudo a minha volta. Lança mão do profundo mistério do que há por vir embalados pelo som sorrateiro, sutil e repetitivo... Tic! Tac! Outros momentos! Tic! Tac! Outros aromas. Tic! Tac! Outra paisagem na janela. Tic! Tac! Outro eu. E, quando olho para o porta-retrato. Tic! Tac! Lembro docemente que o relógio – aquela maquininha do tempo presa em minha parede – simboliza a incessante e natural mobilidade das coisas, a qual ninguém ainda consegue fugir. Talvez pensaria sobre as incessantes incertezas que esse tal movimento da máquina queira me dizer, ou sobre a possibilidade de o tempo correr sem arestas por entre ponteiros dinâmicos. Até mesmo acharia que a máquina amedontra as pobres figuras fixadas em algum lugar da vida, algum momento de felicidade, algum paraíso. Mas, agora, percebi que o tempo está parado, sem puder continuar a passar. Então, me levanto, troco a pilha do relógio, e aí volto a pensar que na parede do meu quarto tem um tempo que não para.

Janela

De dentro para fora. É assim que consigo ver a janela. Se perceber melhor, daquele quadro estático, sai movimento. Tudo se esvai em pedacinhos de tempo. Então, a janela provoca sensações das mais misteriosas às mais libertadoras. Embebidas no prazer e mergulhadas nas possibilidades de imaginação. E tudo, assim, mais se parece espelho que projeta a ambiência e que grafa formas e cores nesse ritmo dinâmico. A minha janela é um cinema ao vivo, contando a narrativa do agora, sem limites para tais sonoridades, concretudes e abstrações. A encruzilhada do in / out com cortinas para o palco do puro cotidiano. A todo momento a cri’atividade congrega e universaliza, tal qual fosse a janela a ligação do eu com um mundo que passa por ela. Então, é cachorro, é carro, é nuvem, é gente, é tudo que cabe nesse espaço quadrado. Parece, às vezes, fonte inesgotável de frames perambulando na frente do olhar e se abrindo, em luz, para um lugar de dentro de si, um espaço sagrado. A conexão entre o sonho e a realidade. O esconderijo e a amplitude. O espasmo e a velocidade. De repente, encontros, saudades, vírgulas, solidão, tudo pode se intercambiar. Troca incessante de energia entre o que se propõe de dentro e o que é de fora por natureza. Mas, a janela continua lá, intacta, percebendo todos os sentidos, todas os momentos. Eu, daqui, fico parado apenas a contemplar. Afinal, transeunte ela não me espera e em frações de segundos modifica minha percepção do outro lado de lá. De fora pra dentro.

Ilustração: Vânia Medeiros

* Lupa é o nome da revista da FACOM/UFBA. Na próxima revista serão publicados esses dois textos na editoria Cubo Mágico. Como estará lá, vocês só poderão ver a partir de agosto, prazo de lançamento da Lupa 3.

4 de abril de 2007

Cara Estranho*


Andava com fones no ouvido. E isso já dizia muito, ainda que não se soubesse o que passava de sonoridades para seu ouvido. O que mais importava imponentemente era a irrelevância de todas as situações a volta. Não era limitação, era procura pelos olhares abstratos mesmo que rígidos. Querias ter uma maior liberdade, sem precisar de tristezas ou qualquer outra justificativa para isolar-se nos fones de ouvido que lhe acompanhava o caminhar.

"My tea's gone cold, I'm wondering why I got out of bed at all
the morning rain clouds up my window and I can't see at all
And even if I could it'd all be gray, but your picture on my wall
It reminds me that it's not so bad
It's not so bad"**

Tinha chão. Pedras, areia e muitos contextos por onde teria ainda que passar. E, claro, seu fone de ouvido. Ainda que de tão feliz cantasse chamando atenção dos transeuntes, pontuava sua liberdades acerca de demonstrações públicas de afeto.

Estivera pouco preocupado em continuar, mas existe de fato a interpretação real de o que se vê e o que não se possuia em imaginação. Construções acerca daquilo que se tem em memória é como um laço sensível entre o sonho e a perspectiva de um outro tempo presente. Por isso a música é essencial, para que o movimento seja compassado sem regras particulares, nem definições arquetípicas.

E, sem esperar por mais nada canta em voz alta:

"¿Quién me va a entregar sus emociones?
¿Quién me va a pedir que nunca le abandone?
¿Quién me tapará esta noche si hace frío?
¿Quién me va a curar el corazón partío?
¿Quién llenará de primaveras este enero,
y bajará la luna para que juguemos?
Dime, si tú te vas, dime cariño mío,
¿quién me va a curar el corazón partío?"***

Dançava, há poucos saltitando. Ridículo era não se entregar às faltas e, consequentemente, aos desejos. Dançava estranho e continuava a procurar a chuva pra acalantar o semi-árido constante do seu coração.

Ilustração: Vânia Medeiros

* Música de Marcelo Camelo
** Trecho da música Thank You de Dido Armstrong
*** Trecho da música Corazón Partío de Alejandro Sanz

25 de março de 2007

carta sobre o olhar em movimento!


Ele esteve a pensar sobre a coisa de se conviver com as paisagens todas que lhe circundam sempre. Ás vezes, essa própria relação entre o eu e o objeto que se põe em forma na visão parece tão inatingível quanto o enigmático entendimento do conceito de "real". Enquanto transitava pelo espaço urbano, todas as trivialidades despercebidas pelo olhar banal característico, o fizeram refletir acerca do condicionamento estético, uma tal padrão, que, em loucura do instinto coletivo, poderia ser o fado do indivíduo. "Desver" a complexidade das cores, da simbologia do conjunto de sentidos na junção das palavras em tais letreiros luminosos, dos códigos indecifráveis que se pretendem orientadores no rito da ambiência.

Notou que tudo ao olhar tem sua própria versão e até o seu próprio não-dizer e, naturalmente, consolida sub-versões tal limitadoras que parece não ter fim em seu próprio ciclo de conceitos. Ou de tal forma ilustrada que provocam a competência do universo da imaginação e, de certo, propõe sentidos inusitados ao longo do caminho. Assim, a era do maniqueísmo deveria estar difusa em alguma parte de um passado remoto.

Com o objetivo de ser mais objetivo, pensa que tais cruciais e reveladores objetos custavam admitir sua reconstituição. Não admitia a prisão no dinamismo, mesmo que parecesse incrédulo e desencorajado. O espaço transparente comum tal rei não se exime de transformações constantes, não se vê no estar do parecer ser e no tal sim do mesmo sim que encanta Caetano. modurado - circulo!

Assim, de leve, há uma verdadeira confusão entre o reflexo inseguro do espaço que se diz em movimento e se reflete no mais irritadiço repouso. SONO DAS PEDRAS. Parece que nem o calor pode fragmentar, ou apenas, dilatar seus mais sinceros sentimentos de mudança. Em partes desiguais... ele é outro a seguir....

  • Tinha a nítida possibilidade de entrar. Duas vias de acesso ao tal saguão principal. Dentro da possibilidade, a sugestão, ou seja, dúvida!
Ilustração: Vânia Medeiros

18 de março de 2007

Ao caminho... passos!


Primeiro, penso que não estou andando por aceitar as correntes de meus próprios passos. Me demiti da simbologia abstrata há algum tempo atrás, mesmo sem me perguntar muito o por quê disso tudo me fazer muito mal. Também não tenho medo das conseqüências de não saber de certo o que é real para muitos. Tenho adquirido saberes importantes no olhar e a coisa mais sincera que posso afirmar aqui agora é que a lição real do não-saber foge do estigma da humildade e passa ao sentimento pura da ignorância. Amistosamente, tenho reparado na ambição de minhas caminhadas por lugares estreitos. Faço silêncio quando necessário, não para escutar alguma voz que seja subliminar para as escolhas bem feitas. Não há mais ingenuidade na provisão infantil de qualquer sentimento de culpa que se possa ter a partir de agora. Mas fico quieto por que não tenho nada a dizer que vá servir para que eles andem com mais facilidade. Alimentando os egos (e subgêneros desse presente perfeito), a escrita não é por lição a outrem, mas para me dizer caminhando.

"A coisa é tão delicada que eu me espanto de que ela chegue a ser visível. E há coisas ainda tão mais delicadas que estas não são visíveis. Mas todas elas têm uma delicadeza equivalente ao que significa para o nosso corpo ter um rosto: a sensibilização do corpo que é um rosto humano. A coisa tem uma sensibilização dela própria como um rosto"*

Ao deixar-me submeter a todos os aspectos de tal egocentrismo.

Então... a gente caminhava indiferentemente aos acontecimentos que circundava os corpos. Uma situação tal inóspita, sem causa fundada, sem nenhum desespero. Estávamos tranqüilos nessa decisão. Particularmente não estava preso a vulnerabilidades e não que ao meu lado até o pensamento vivenciava ares de liberdades gigantescas.

Produzíamos até sensações esdrúxulas com a boca, sem precisar apelar para qualquer diálogo suprareal sobre a filosofia da intensidade de viver em tais insignificantes novos tempos. Seria de tal forma ridículo se não encarássemos a complexidade do fato no olhar do outro como ridicularidades substanciais. Seria até lírico imaginar que os desejos da língua, marca de um ousado limite (ou a ausência de), viriam de um vermelho latente característico do gosto comum pela película almodovariana. Então não é insensato a existência de similares sensações.

“A meia altura de uma árvore indeterminada, um pássaro invisível empenhava-se em que fosse breve o dia, explorando com uma nota prolongada a solidão circundante, mas recebia desta uma réplica tão unânime, um contragolpe tão reduplicado de silêncio e imobilidade que dir-se-ia que ele acabava de parar para sempre o instante que procurava fazer passar mais depressa.”**

Tinha-se um profundo enlace na gestão das sensibilidades. A distração era argumento sempre para a primazia da escolha pelo momento de preguiça sem tédio, muito menos culpa. Logo, não se pretende pedir perdão por não querer ser. Enquanto houver a possibilidade do caminho espontâneo haverá, de forma simples, a singela vibração transeunte do conduzir e do manter a necessidade da aliança - elo sensível.

Indiferente da abstração, viria a derrubar literalmente, todas os paradigmas do ser, sem conseguir estar aparentemente satisfeito com o que se estava sendo. Sentei-me em algum lugar (invisível), me deixando inesperadamente ouvir músicas de Chico (Buarque) como se entendesse da criação de realidades significativamente concretas. Tomei cerveja preta trivialmente sem sentir sinais de cansaço.

"Roda, toda gente roda
ao redor nesta praça
e formosa
(...)
no meio da tarde de um imenso jardim"***

Ainda se sonharia entre pinturas de Van Gogh e suas loucuras todas seriam sensações de leveza. A delicada ilusão de estar criando na imaginação. Cheirou uma flor só e ouviu a música ainda a tocar.

Ilustração: Vânia Medeiros

* Trecho do livro A Paixão Segundo G.H. de Clarice Lispector
** Trecho do livro No Caminho de Swann de Marcel Proust
*** Trecho da Música Domingo de Caetano Veloso

4 de março de 2007

A palavra e o tempo


Ademais
enquanto houver inferência
novas lógicas serão perceptíveis
crises como mudanças
e as transformações
não se limitam mais.
Margem e inerência
capacidade de ser
mais do que o é e estar junto

Quando for sol
e percepção da manhãnzinha
uma mulher é concretude
um homem é sonho
e tudo muda com o tempo

A analogia fundamental
é a alegria instrumental
parte de diálogo natural
e sagaz da imagem

Na certeza insensata,
nunca é absurdo
assim como antes é indiferente
assim como depois ainda não é

Na primazia do soberano
miticidade é ambiência constante
e dentro de sensações mais profundas
viver é imprecisão
nada de sim e não
criatividade de ilusão
imagem e ação
vivacidade

Ainda o hoje é o necessário
como o amar pras flores
como o sentir pro coração.

Ilustração: Vânia Medeiros

(A homenagem que se pode fazer a um mestre é fazer a arte de sua vida. Dessa forma essa poesia é para Zeca e dele, como o quiser. Em outra etapa de sua história agora ele alça outras poesias e o é em saudade! Fique bem poeta, vá em paz... E a gente fica com a poesia... ou seja, a beleza continuará!)

1 de março de 2007

carnavália II


"Eu fui atrás do caminhão, fazer meu carnaval e o carnaval é feito do coração..."*

Quando dos passos ao andar caminhos se abrem, novas formas de ver a luz se inicia. Um santo para proteger a estrada, uma sensação de liberdade se amplia. O objetivo era a diversão contínua e o sentimento apreendido não abstraia outra ilusão que não fosse o estar junto e proferindo sons que motivassem o movimento do corpo.



" Groove de primeira até quarta-feira
Vou atrás do caminhão
Som de samba reggae
Coração que segue
A alegria do povão"**

Imagine que uma grande energia motivava o brilho no olhar. O estar próximo, a conquista da beleza, alinhado a grande conquista do con-viver. Naturalmente a primazia limiar não absorve nenhum desafio maior, mas o que se prendia era o arrepiar a pele, o cantar acompanhado, a dança qualquer.

De repente todos tinham se tornado Adão, mas grandes EVAs na avenida a dentro, pra lá e pra cá. Do lado de uma imensa corda (e outras conversas se desdobram), todos se tornavam pipocas, mais, pipocão! Proferindo camadas no meio da multidão, sou camaleão com Asas de Águia. Todos atrás de uma fubica elétrica onde cabe mais que 1, cabem 2222 expressos... Mais liberdades, sentimentos de negra cores no Ilê, Malê.

Era samba na avenida, era crocodilo. Entre chuva e sol, triatro puxava crocodilos e intertri soava os sons de orixás. Nessa terra, Ghandi circula entre mascarados. E haja amor!

Um grande carro, muita luz e sons... e gente, muita gente atrás do caminhão elétrico!

"De volta pra casa
Cruzando a cidade
Em qualquer lugar eu vou tirando um som
Batuque de raça
Sangue novo na praça
Sintonizo o radio nesse barulhinho bom"

Parado, chiclete é com banana (nana)
Barulho contagiava a multidão de diversidades (ao fat boy slim)
Acompanhando a alegria do caminhar (trio elétrico)
Sentimento de pertencimento e identidade (s-o-t-e-r-o-p-o-l-i-t-a-n-o)

* Trecho da música Eu fui atrás do caminhão de Clori Roger (cantado por Chiclete com Banana)
** Trecho da música Carnaval de Salvador de Saulo e Sérgio Fernandes (cantado pela Banda Eva)
*** Trecho da música Barulhinho Bom cantado pela banda Negra Cor

(texto em homenagem aos PPS que fizeram comigo a possibilidade de estar na singeleza da alegria sem prescrição e nem impedimentos de prazeres momentâneos. Amo vocês. Aos APPS muito importantes também nessa vivência de dias alegres. À Xotoko, Darlan, Dan, Roger, menina Quel, Adelino. A linda Van e Igor pela cia no caminho Barra Ondina eletrônicos. E aos 2 milhões de pessoas, que com fé e simplicidade fizeram a beleza de um carnaval inesquecível)

8 de fevereiro de 2007

Ela X Ele na cidade sem fim*


nega - ele vinha andando lentamente. De repente ele estava passeando pelas listras que cobriam as estradas do meu pensamento. Olhava de certo as pedras mínimas que tinham formas exuberantes pelo meio do caminho e as folhas de pitanga que exalavam o perfume sensível do ambiente. Ele pisava macio, arredondando o vento, quase sem tocar no chão. Se não assim o fosse tenho certeza do mundo a girar numa velocidade muito mais lenta. Olhos de jabuticaba, cílios definidos, como se liberasse algo mágico daquelas vicissitudes. Ah! o olhar... E era um moço forte, tão quanto elegante... era a própria sensibilidade! Os passos eram naturalmente vôos de um bem-te-vi que sorrateiramente o fizera sorrir. Ele sorria...

nego - ela estava sentada (des) ajeitada. A faixa colorida do cabelo não podia limitar a beleza do seu belo sorriso. Ela é espontânea, almejante de passos tão largos quanto seu próprio movimento de repouso. Era puramente energia. Forte, uma moça forte de olhos intrigantes e puramente doces. Se impunha em qualquer ambiente, presença tão marcante quanto partícipe. Não se continha às gargalhadas. Ah! as gargalhadas...

"Mas tudo é só o amor em mim
Tudo é só o amor para mim
Xangô Agodô
Hoje é tempo de amor"**

nega - De tudo que se vale do agora, a liberdade, singela e intransferível, é digna de não espantar qualquer atitude. Me desperto em qualquer dos limites insolentes e marco mais um ponto para o acaso arriscando desde rabiscos em papéis que não se valem de nada a outra própria realização: o beijo.

nego - De nada serei eu, antes incompletude serena nesses passos. A assiduidade inconstante da presença de outrem tornando excitação e disritmia. Mas não se para pra entendimentos breves. Mais do que isso faz-se necessário. O limiar inconstante da sensação de mar no ventre. Toques de mãos e silêncios solenes.

nega - Os demais símbolos são apenas outras construções. Para além deles a vivacidade fora dessas trilhas. Qualquer criatividade, qualquer paz. Então, mais palavras e mais encontros de lábios.

nego - Antes, a vontade continuar venerando a gargalhada. O cabelo que toca serene no meu rosto. A tênue aventura do prazer em ver. Aconchegos e sons.

"Lines on your face don't bother me
Down in my chair when you dance over me
I can't help myself
I've got to see you again"***

nego - E todos os sons são você. Todos os momentos são inconstantes e cada vez mais precisos. A delicadeza de ser flor. A intensa airosidade de seu caminho. A parte mais limiar do seu lábio. O instante preciso. O som do vento na tua pele. Sim, tua pele.

nega - E todas as imagens são você. Do espaço que se insere de verdades imponentes cada vez mais imprecisos. A afabilidade no ser pássaro. A própria lembrança do lugar do olhar. O lugar preciso. Os ambientes da sua imaginação. Verdade, sua imaginação.

"Se eles não têm pose
Nem maldade
Eles não têm culpa
Nessa cidade"****

...
Mas eles sabem amar...

Em homenagem à Bia e Êjigbô

Foto: Atta - Átila

*Música de Vanessa da Mata
** Trecho da música Canto de Xangô de Baden Powell
*** Trecho da Música I've got to see you again de Jesse Haris (na voz de Norah Jones)
**** Trecho da Música Ela X Ele na cidade sem fim de Vanessa da Mata

5 de fevereiro de 2007

De repente andar...


A missão disponível era caminhar... saiu de um bairro imaginário para uma comunidade criada por um caminho que ia desenhando. Ia construindo as paredes todas e até os paralelepípedos. Sozinho, ia delineando as paisagens como se o olhar fosse pincel e como se a luz do sol contivesse todas as cores que necessitava. E tinha. O engraçado é que tinha muito sol, então muitas cores, dessa forma se esbaldou em tintas que até então não tinham sido misturadas. Acompanhou o seguimento dos ventos, indicando por onde ir e alertando com símbolos por onde deveriam existir os passos. O objetivo estava apenda começando a se cumprir.

"Por um segundo
Achei que estava lá
Olha! Que luz é essa
Que abre um caminho
Pelo chão do mar
Lua
Onde começa
E onde termina o tempo de sonhar?"*

A atitude tinha a ver com a palavra meta. Nada era tão certamente concreto, mas tinha todo o sentido. Para que se possa entender ele já se tinha desenhado anteriormente. Agora precisava cumprir outra missão. Seria desenhar pontes? Seria apenas chegar a outro lado? Seria construir lugares? Não se podia ter certezas, mas tinha convicções seguras. E construia casa, pintava praias no caminho, desenhava grão por grão de areia, sinuosas sensações de frio e calor. Pela estrada que imaginava, passava sem caber em si de tão verdadeiro. lembrava do que lhe era sutil e andava em direção ao que se tinha que fazer.

"Vou mostrando como sou e vou sendo como posso.
Jogando meu corpo no mundo, andando por todos os cantos.
E pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto.
E passo aos olhos nus ou vestidos de lunetas.
Passado, presente, participo sendo o mistério do planeta.
O tríplice mistério do "stop", que eu passo por e sendo ele no que fica em cada um"**

A liberdade também foi sendo formada... continuamente. Andar era legítimo, criar de tal forma que se pudesse continuar a existência. Indignação e Paciência também sempre fizeram parte do vocabulário. De nada serviu a consciência ou qualquer pensamento sobre, mas o prazer da justeza sim. (Repete-se o conceito de justeza - justiça + beleza). Sem ignorar nada, ajeitou o tapete que acabara de pintar com seu olho e andou como gato que levemente faz carinho em quem tiver por perto, manso e nem um pouco temeroso.

Quando foi saber qual era o objetivo já estava cansado. Foi quando bebeu a água que pensou em existir e dormiu. Aí já se sabe, em sonho construir outros mundos é coisa melhor do que brincar de colorir o mundo.

Ilustração: Vânia Medeiros

* Trecho da música Pedra e Areia de Lenine e Dudu Falcão
** Trecho da música Mistério do Planeta de Galvão e Moraes Moreira

30 de janeiro de 2007

Fora! (ou quando [não] o encontrei!)


A liberdade de agir manipula o senso mais óbvio do destino. Qualquer que seja a sombra do impedimento não nos livra de propriedade ou convicções ambíguas. Dois instrumentos muito particulares do movimento: assiduidade e ternura. Assim como o voar parece óbvio no cotidiano dos pássaros e o freqüentar correntes marítimas são comuns aos mais belos dos ouriços do mar. Síncope de todas as amarguras, o dia-a-dia não mais é tão natural. Acabou-se a indisposição, o que se pede salta a face da imaginação e se torna tão compreensiva quanto vivenciada.

"Meu Deus, pelo menos comunicai-me com elas (as estrelas), fazei realidade meu desejo de beijá-las. De sentir nos lábios a sua luz, senti-la fulgurar dentro do corpo, deixando-o faiscante e transparente, fresco e úmido como os minutos que antecedem a madrugada. Por que surgem em mim essas sedes estranhas? (...) Aqui, junto à janela, o ar é mas calmo. Estrelas, estrelas, rezo. A palavra estala entre meus dentes em estilhaços frágeis. Por que não vem a chuva dentro de mim, eu quero ser estrela. Purificai-me um pouco e eu terei a massa desses seres que se guardam atrás da chuva"*

Depois de interagir com aquele olhar, me propus a perceber se era espelho ou era apenas fingimento. Quando estava ciente de que nenhuma das duas alternativas eram cabíveis tentei achar mais algum problema com a minha aparência, pouco satisfatória. De repente me vi extremamente deselegante fixando o olhar no outro olhar. Suspiros. Vontades de estrelas em comum, cartas de amor e saudades.

A magia, ponto forte da investida no encontro, fica concentrada no quesito mistério. Aquele ver fora do enxergar. Aquele estar sem presença. Aquele recado lido e sem resposta. Aquela foto inconfessada. Parece inscrever no caminho a veracidade do toque sem sensibilidade aparente.

"Elas feitas, também me deram vontade de mais, de vê-la mais, experimentar novas temperaturas nesse espaço ai esboçado... foi feito muito com sentidos perto do coração selvagem também, de estar conectada com o dizer de desejos infinitos, amplíssimos e de plena solidão e felicidade voraz. E aguçamentos intensos quanto aos afetos da natureza, sim, muito fortemente"**.

Ao final de mais um (des)encontro, uma sensação de que mais poderia ter sido dito. Ou pelo menos algo se faria florescer do ouvir, ou pelo menos permanecer o olhar. Acompanhar sua roupa em movimento, seus gestos. Depois momentos virtuais. Troca de sons. Mais sentidos em comum. Mais sensação de identificação. Mais beleza. Os dois!

Ilustração: Vânia Medeiros

* Trecho de "Perto do coração selvagem" de Clarice Lispector
** Texto de Vânia Medeiros

14 de dezembro de 2006

Além de "palavras-cores"*

Eu estava do outro lado da rua. Tinha que passar. Olhei pro lado, para o outro. Movimento. Desconcentrei-me de minha missão. Não estava mais atento aquela realidade. Era só imaginação que controlava os meus sentidos. Estava muito feminina, mas não estava mais ali. Senti um esbarrão no meu corpo e voltei ao tom de meu objetivo. Aí já estava do outro lado da rua, tinha passado e nem me importei para que lado olhar. Nessa minha imagem criada tive movimento. Imagem e ação.




Do desenvolvimento se depende a satisfação de ser em contraposição do que não se pode ser. As escolhas imagéticas e relacionais criam barbas bem feitas ou um aumento substantivo na vermelhidão que envolve o caminho a seguir. Místico. Talvez na se entenda quanto de procedimento de segurança os limitem, porém, mais que concreto a evolução é imaginativa e de repente tudo vai se transformando. Inclusive o que se entende por “eu”. É tudo muito certeiro, o que sempre muda é a percepção das dúvidas. E nada mais tem valor de verdade, no fim só eu.





Para Dan


Fios cobrem aquele rosto. Muito tênue sua límpida posição. Tudo tão pragmático quanto sentido. Tudo bem articulado. Ele caminha a passos de desconstrução e outras inteligências. Constrói mundo que lhe cabe e também o que extrapola a sua visão. Ele em grandeza é maior do que pode se ver. E quando abraça acolhe de tal forma que sensibiliza. Aconchego, ele é mais mágico que sua própria existência e cativa!







Ilustrações: Vânia Medeiros

* Esses textos junto com as imagens fazem parte da exposição "Palavras-Cores" que foi lançada na noite Multiarte da Zauber no dia 09/12. A exposição conta com imagens de Vânia Medeiros e com textos meus. Esses textos e essas imagens estão na exposição original, mas não foram impressas. Por isso estão aqui exclusivamente aqui no blog. Para ver a exposição que foi impressa vá no blog "palavras-cores".

25 de novembro de 2006

Eu preciso aprender com o semi-árido do meu coração!


A aliança entre satisfação de permanecer e o medo de caminhar se estabelece na primeira piscada sensível de olhos ao acordar. No próximo instante, as cenas dos capítulos irão se transformar rapidamente em narrativas sem sentidos. Nem o da vontade culta de não ter sentidos. É como se já não tivesse a calma de esperar converter o rito no princípio concreto de cotidianidade. Uma espécie de vestígio de incapacidade tardia de conviver com a falta de liberdade do outro pra si.

iden- (t) - idade

A rapidez que as coisas vão tomando para si causa a ligeira sensação de que é inoportunoa percepção que se constrói do olhar para dentro. Em todo o caso, outros importantes espeços imagéticos já se preocupam em servir como paradigma pra construção das suas identidades. Ou como elas próprias.

O eu (?)

Se conseguisse se livrar da culpa imposta de não conseguir perceber o próprio desenvolvimento das idéias, estaria mais calmo agora. Nunca um olhar mais contemplativo foi atravancado pela sensibilidade no olhar a si mesmo.

É completamente compreensível o medo de destruir marcos e, mais, do medo do possível medo que talvez possa sentir.

Tudo seria mais fácil se tivesse água! Ou melhor. Todos os muros que ele construiu é pela imensa sensação de semi-árido no seu caminho de emoções. Como nenhum outro, ele é sertão! E no campo das emoções fica na perspectiva simbólica de tentar conviver com o semi-árido constante do seu coração!

E canta Maria Bethania...

"Amores são águas doces
paixões são águas salgadas
queria que a vida fosse
essas águas misturadas"

Ilustração: Vânia Medeiros

18 de novembro de 2006

Ele D'ela


um homem (outro ele)

Ele, um outro dele
saía pelas portas marcadas de um lugar qualquer

Dele, um outro ele
deslizava pelos embaraços discretos de um outro dia vulgar

"SEM SARAR

Quando eu caía
Ele vinha
Me cuidava
Me erguia.
Já foi assim
Agora não
Ando gripada
Desde então"*.

a ele - e moro nele
passeia pelas esquinas tentando ser mais que retina de outrem

Mestre, um outro daquele
sem saída, sem saudade, sem liberdade pensante

"(...) Ah, meu menino!
Mas se você insistir em chegar assim
tão desavisado e de repente
sou capaz de me entregar,
me deito e me ofereço
ali mesmo no sofá.
E se você sorrir assim
tão sorrateiro e dissimulado
que faça eu querer morrer,
lhe como, lhe gozo, lhe beijo
e depois em outra cama
vou ligeiro lhe esquecer"**.

da barba, do roçar o pescoço
ou da pele simplesmente

ele, um outro ele e dele
habita em mim
satisfazendo-me

"Não solidão, hoje não... quero me retocar"***

Coisa de mulher
D'ele...

Ilustração :: Vânia Medeiros

* Poesia de Raiça Bonfim
** Trecho da Poesia de Liana Lisboa
*** Trecho da Música "A Mais Bonita" de Chico Buarque

30 de outubro de 2006

Uma de Rodoviária*


...

Cheguei de manhã bem cedo na rodoviária de Jequié depois de ter viajado a madrugada toda. Fazia frio, eu só tinha um casaquinho fino para me cobrir. Tinha que esperar a pessoa que ia me levar dali pra Lafaiete Coutinho, cidade vizinha e meu real destino, e àquela hora da amanhã, com certeza ela não havia acordado. Resolvi tomar um café quente com pão na lanchonete.

Comi devagar, em pé no balcão. Depois de pagar fui me sentar numa das mesas. Estava com um sono forte, tirei meu travesseirinho da viagem da mochila e recostei sobre a mesa. Dei uma cochilada meio que ouvindo a conversa de dois homens que estavam na mesa do lado, uma conversa meio doida. Um deles falava de Deus e o outro dizia que era cantor.

Levantei, fui ao benheiro (paguei 0,50 centavos), fiz xixi, escovei meus dentes e voltei, ainda sonolenta, pra a mesa. Puxei um livro e comecei a ler.

(Faz vários barulhos na rodoviária, mesmo a essa hora da manhã. Toca uma música brega na caixa de som, o rapaz da lanchonete grita pra outro "ô rapáz, de manhã cedo você já tá perturbano!")

Na mesa ao lado, o que diz que é cantor conversa agora com outro homem, que parece um velho conhecido seu. Me virei pra eles e vejo bem a figura: é um velho negro alto, com vários dentes faltando, um dos pés enfaixados, usa uma bengala. A expressão dele é o tempo todo meio sorridente, um sorriso meio besta.

O outro, tão velho e acabado quanto ele, só que branco, tira de uma bolsa velha uma garrafa de coca-cola sem rótulo, com um líquido verde dentro e mostra ao outro, que a segura e olha muito, parece bastante interessado...

Eu não ouço bem o que eles dizem por que estou lendo e meu interesse está dividido entre os dois e o livro.

O pé enfaixado pára de falar e fica me olhando. Deduzo logo que ele vai falar comigo.

- Moça, você é serva de Deus?
- Er... oi... hein? Ah, sou sim senhor - digo, mal tirando o olho do livro para mostrar desinteresse. Ah, não quero conversa.
- Não é malandragem não, mas a senhora parece uma santa. A senhora se chama Ana?
- Não...
- Como é seu nome?
- Vânia.
- Ói, Eu tenho essa úlcera no pé há seis anos. Já vendi tudo o que tinha por causa disso, açougue, carro... nunca resolveu. Agora me aparece o remédio certo (ele mostra o líquido verde) e eu não tenho dinheiro pra pagar. Eu fui roubado ontem, me levaram dez cds... a senhora não poderia...
- Moço, não posso comprar, estou sem miúdo, estou aqui a trabalho... desculpe.
- Tá aqui a trabalho, é?
- Huhum.
- A senhora está indo pra Salvador ou pra Itabuna?
- Lafaiete Coutinho.
- Ah. Eu vivia correndo atrás de gado lá. Eu sou cantor. A senhora escreve poesia?
- Não senhor.
- Apois, olhe aqui.
Ele tira um papel plastificado da sacola rota e me dá pra ler. É um registro de cartório, de uma música. Chama-se "O amor de Ana é vaidosa".
- Olha, que bom! Parabéns (o que mais eu poderia dizer?)
- E olha aqui, tá tudo registrado aqui... - e tira um CD da bolsa, gravado, escrito à mão "Antônio Alexandre".

O outro se dirige pela primeira vez a mim e diz:
- Esse ai é serio, moça. Ai não é de bater papo não. Não é malandro não. A senhora não quer comprar ai a fita dele pra ajudar não?
- Ô moço, agora eu não posso.

- Esse livro que a senhora está lendo ai é o quê? - diz o cantor.
- Ah... é a história de uma moça.
- Sim, mas o que é que tem?
- É uma moça que se veste de cavaleiro, no passado.
- Ah, sim. Apois eu mesmo é que gosto de escrever as história.

Ele fala com um cigarro pendurado no canto da boca o tempo todo, fuma um atrás do outro. Continua, segurando o CD:

- Aqui, ó, se botar em qualquer rádio ai, ó, sai a história. Você mesma deveria escrever suas história invês de ficar lendo ai as história dos outros. Devia escrever "eu cheguei aqui em Jequié, não encontrei condução, cochilei na mesa..... e começa a olhar pra a rua, parece que esquece de mim, com o cigarro na boca.
- Mmmm. certo... quem sabe eu escrevo....

Ilustração: "Morro da Favela" de Tarsila do Amaral

* Texto de Vânia Medeiros

24 de setembro de 2006

Situações (ou as ambiências descritas)


Descrição 1 - Vim aqui não para ser aceito por teu sentimento de pertencimento coletivo, mas para umedecer meus áridos lábios através dos teus, possivelmente adocicados.

Por aqui não me satisfaz amenidades de sentir a criação gentil dos símbolos que tuas palavras profetam, mas sim, com certeza, a possibilidade da mobilidade do tato criando ambiência para o desabrochar dos poros.

Descrição Especial - Crise da mitologia cotidiana, a sensibilidade mantém-se em vista de conceitos que se pressupõem incoerentes na perspectiva de aliar-se a capacidade - sutil - de organizar de maneira semântica, irrealidades concretas. Pois tudo parece tangível e impactante de um adjetivo mais ameno a um toque desprezível às mãos. Não que necessite de endurecer as relações, mas não faz sentido chorar mais uma vez por histórias de amor (ironiza-se?). É notório que a emoção é acionada por signos pontuais e é mais visível ainda a criação nestes momentos expectativas que beiram prospecções fantasiosas. A abordagem de um sorriso vazio não preenche mais.

Sentando-se smepre ao lado do umbuzeiro (maravia) que havia crescido a poucos passos da porta de sua morada. Alí estava em silêncio, acomodado por uma posição contemplativa do ambiente, como se pudesse esculpir com sua percepção as imagens que conseguia captar em seu mergulho, nas sensações momentâneas. Era muito mais fácil perceber o aroma aveludado das folhas que se movimentavam lentamente pelo vento. É importante prestar atençãoq ue, na descrição da árvore, não cabe adjetivos tais como mágico ou difrenciado. Partindo da sua percepção, apenas lúdico.

Descrição 3 - Quando eu me conheci estava sozinho. Haverei eu de (re)conhecer-me não mais em condição original?

As diversidades das visões adicionam ao olhar a perspectiva do simbólico retorcido de alma. Como molduras em frangalhos!

Não me sinto perspicaz o suficiente para banalizar a ilusão conteudístas dos que escrevem, nem pensar em forma parece mais original. E, pra ser sincero, só escrevo aqui pela borda "dibujada" do termo dissolvido pelas páginas. Sentido do caderno fechado!

Descrição 4 - "Me deixe hipnotizado pra acabar de vez com essa disritmia"*

É o seguinte: Eu não fiz cinema a toa. Queria ser fotografado na retina pra saber se, mesmo assim, eu ia sentir dor. O máximo que eu consegui foi virar luz por algum tempo e confudir o imaginário alheio. A minha conversa virou sessão especial em projeção di-gi e tal. É proibido veicular em qualquer lugar o pensamento sobre tal merecimento, mas na era tropical ele me disse ao pé-do-ouvido:
"é proibido proibir"**

Foto: Vânia Medeiros

*Trecho da música Disritimia de Martinho da Vila (na voz de Zeca Baleiro)
** Música de Caetano Veloso

10 de setembro de 2006

novodenovo


Quando ele me fitou os olhos, com seu carinho dobrado de limites, acariciou me a face sem tocar-me. De certo tranqüilizava o sentimento de ternura apaziguando todos os vícios de qualquer ser, antes banal. Agora vibração! Ele monopolizou a minha forma de enxergar a liberdade. Seria o tal responsável pela escada imagética que me proponho a erguer. Para que uma escada? Subir para onde? Ele interpreta os motivos comuns de ampliar o ver. Mais do que isso, ele exercita o movimento de forma tão simples quanto acordar com sorriso cristalizador. Da sua pele – camélia – do seu sorriso – margarida – dos seus olhos – rosa – das tuas palavras – tulipas! São as flores de você que atiçam a necessidade de estar a guiar o resto do caminhar!

“Estranho mas já me sinto como um velho amigo seu” *

Alinhou os passos, alimentando a sensação de pertencimento... era praticamente incorrigível a calmaria que se apoderava dos gestos quando ele está por perto. Fica a história como a possibilidade de dar passos ao mar. Carnaval antecipado nos sonhos de criatividade. A brisa pulsante ludibriava a visão. Ilusão? Não pareceria tal devaneio ao soltar do abraço dado no fim. Saiba-se aqui que o fim é sempre a perspectiva de um novo início. O que mais enche os olhos até aqui? Ele é arte! Ou bem próximo com seu colorido!


“O que você precisa ?
se você precisar.
Uma margarida comum
um beijo ou um simples abraço
que é pra você lembrar de mim” **.


Qualquer transparência nessa órbita, não parece acidental. Tudo estava tão escrito quanto lhe parece cabível em qualquer sistema lógico. Irreversível contato. Parece que quando se alimenta a condição de materializar o que se pode conceber como desejo cria-se condições cabíveis de nunca saturar qualquer palavra de ligação. Conectividade, diferente de um ambiente de apenas aceitação do pensamento.

Eu cantei para tentar fazer da sua atenção uma possibilidade de encontro. Dito e certo. O meu canto nada foi mais que te atrair para um outro canto. Apenas mais um! Outro a mais para o seu desenvolvimento.

Andar... ficar atento às vibrações das pálpebras. Ao limiar de qualquer símbolo em palavra proparoxítona. Parece inevitável um conceito de instantaneidade do estar. É momentânea a sensação de estar próximo. Calcula-se o valor de quanto o tempo radicaliza a previsibilidade, “na real” apenas não deixo mais o seu polegar aparecer nas fotografias!

“Eu levo essa canção de amor dançante pra você lembrar de mim,
seu coração lembrar de mim
na confusão do dia-a-dia no sufoco de uma dúvida,
na dor de qualquer coisa
É só tocar essa balada de swing inabalável que é o oásis do amor
Eu vou dizendo na seqüência bem clichê
eu preciso de você” ***

O que dizer da importante atenção que destinas? O que dizer do colorido? Ainda percebe a insipiência da construção de nossos símbolos, mas carece de saber que há mais que concordância e amorosidades... Há a sensível e notória vontade de completude. Revelar os segredos dos medos. Abrir a porta para um outro mundo... rir das interpretações dos recados postados! E mais... é ainda tem mais...

Texto em homenagem a Marquinhos (xotoko)

Ilustração: Vânia Medeiros

* Trecho da música All Star de Nando Reis (na voz de Cássia Eller)

** Trecho da música Um Simples Abraço de Nando Reis

*** Trecho da música Balada do Amor Inabalável de Samuel Rosa / Fausto Fawcett


28 de agosto de 2006

Pré-fácil


Dois passos dados, dos dois idealismos baratos. Viva a sesação de fragilidade. O indeferido estar não mais se propõe a cristalizar-se, tampouco permanecer arbitrário. Nem se pretende anunciar a discórdia ideal entre a ciência de se sentir corpo e a liberdade de ser todas as partes do universo. Crescimento é simbologia de acrescentar substância à necessidade de subverter qualquer [noção de] lógica. Deu três passos acionando qualquer argumento saliente que se mostre condizente com as incertezas próximas. No entanto, bombons de chocolate são mais tentadores que a capacidade de continuar racionalizando os sentidos. Isso como se houvesse explicação óbvia para o anonimato de todas as causas dos atos. Ato, leia-se, agir, de fato!


Ilustração: Vânia Medeiros

24 de agosto de 2006

Fotografias da monotonia no amor!


Com nenhuma certeza e algumas decepções, andava na convicção de que o amor e as coisas do coração não são para todo mundo. Não tinha infelicidade, mas incompletude. Típica sensação de frustração que, entre tantos outros sentimentos, faz desmanchar líquidos por onde se consegue ver. Se diferia de poema, pois já não possuia caminho vindouro, também não encontrou pedras por aí. A beleza não tardava a se refeltir. Composição de quadros naturais, passeio por exposições em chão de madeira, fotografias do século passado, as pinturas dela no universo virtual, música de crianças negras, milhares de frames por horas de fábulas. Já tinha apreendido o catar as folhas secas deslumbrado com tantas outras que ainda hão de cair. ânimo novamente e paciência para construir o cotidiano - vontade de palhaço, porto verde. Sentava na cadeira de madeira no passeio nas águas vermelhas a observar os desenhos surreais pintados e autorizados nos muros que os cercam.

"(...) When I saw the break of the day I wished that I could fly away Instead of kneeling in the sand Catching teardrops in my hand My heart is drenched in wine But you'll be on my mind Forever (...) Something has to make you run I don't know why I didn't come I feel as empty as a drum I don't know why I didn't come"*

Depois de horas de rodar na cidade chega ao fim do dia subindo escadas rumo ao colorido lugar da imaginação empírica. Foi lá que voltou a estar insatisfeito com a monotonia romântica. Por que apareceu na janela um delineado rosto, um objeto para melhorar o olhar, encaracolados e grandes cabelos. Já partia para um outro espaço. Não se permitia, desencorajado - de fato - encabulado, manter o olhar para aquela face.

Submergia a um lugar pouco atingindo pelo ambiente. Ninguém ao redor consegue imaginar a amturação interna de suas angústias em relação ao que se via. Tudo se mistura: esperança, desejo e vontade de sair do lugar. O toque involuntário é inoportuno e insatisfatório. O que se prima de sensato até então é a propriedade imagética e intocável do sentimento.

Das necessidades todas, das recordações, um aroma aprofunda a magneticidade dos corpos e as palavras se quer merecem suas próprias limitações aqui. Essencial foi permanecer na imaturidade do intelecto e ir percebendo a taticidade que a ilusão pode criar. Como se uma grande estrela pudesse pousar como borboleta nas costas da inspiração.

Como tudo não passa de desejo em suas mais pura complexidade, a simplicidade deu lugar ao pensamento delicado. Um lugar arisco, onde o querer é não ter o poder que necessita. Então, volta-se para a arbitrariedadeda carência e se questiona acerca das condições para afetividades "atemporais". Tudo deve começar novamente, calejado de indefinições, arquitetura do pensamento questionador.

Ilustração :: Vânia Medeiros

*Trecho da música Don't Know Why de Jesse Harris (na voz de Norah Jones)


14 de agosto de 2006

Felicidade - imaginação delicada


Dos limites que se observa no território do símbolo, do que se vê é beleza. É, de fato, ponto pacífico a linha do horizonte no mar. Trasnpor!

O cuidado com a singeleza das pétalas permite transcender o duro e usar o sólido com a flexibilidade delicada. Dar passos em relação a sobriedade tangível. Enxergar reflexos irrisórios da mente como diálogo consigo mesmo. A vontade de se confessar é natural. Dos limites que já não são mais visíveis, porém paupáveis, tácitos. Um vislumbre do que se pode ser quando se nada em direção à linha que pode não existir.

A felicidade é conversar na varanda da casa de quem não conheço com alguém de sandália na mão e sorriso bonito. Dele que me olha fixamente, uma pré-ocupação: As verdes bolinhas de gude e o vermelho-barro do campo de futebol. E, claro, o grito de gol.

Os passos não são dados. Parece que de alguma forma o paralisar não tem proferido o devido incômodo. Liquefação do desejo de movimento. Este não se mistura mais nas mais tênues vesículas. Continuar na estaticidade?

A ingenuidade faz novamente construir sem nenhum nexo a presença da culpa. É insensatez diferente da amargura. O signo do tempo é a esperança. Joga-se as bolas de gude verde no campo de futebol vermelho-barro e, com a chuva que cai, se completam a constência dos ritmos comunicáveis. Tudo fica colorido e, agora, com cheiro de terra molhada.

Mas, o que dizem os ventos?

"A franja na encosta
Cor de laranja
Capim rosa chá
O mel desses olhos luz
Mel de cor ímpar
O ouro ainda não bem verde da serra
A prata do trem
A lua e a estrela
Anel de turquesa
Os átomos todos dançam
Madruga
Reluz neblina
Crianças cor de romã
Entram no vagão
O oliva da nuvem chumbo
Ficando
Pra trás da manhã
E a seda azul do papel
Que envolve a maçã
As casas tão verde e rosa
Que vão passando ao nos ver passar
Os dois lados da janela
E aquela num tom de azul
Quase inexistente, azul que não há
Azul que é pura memória de algum lugar"*

Lá, de longe, a partilha se conserva. A troca combina livre com a sensação de emancipação. Reconquistar o evoluto. Re-evoluir. Travar com exaspero a batalha da imaginação delicada com o pragmatismo concreto. Dos dois se faz a iluminação da estrada.

A essencial inutilidade é o limiar dessa inteireza. Olhar a cidade com "justeza". Ver o espelho com tranquilidade. Apenas caminhar. Das flores invasivas, dos cheiros desconcertantes.

" Para Adidas o Conga: Nacional
Para o outono a folha: Exclusão
Para embaixo da sombra: Guarda-Sol
Para todas as coisas: Dicionário
Para que fiquem prontas: Paciência
Para dormir a fronha: Madrigal
Para brincar na gangorra: Dois
Para fazer uma toca: Bobs
Para beber uma coca: Drops
Para ferver uma sopa: Graus
Para a luz lá na roça: 220 volts
Para vigias em ronda: Café
Para limpar a lousa: Apagador
Para o beijo da moça: Paladar
Para uma voz muito rouca: Hortelã
Para a cor roxa: Ataúde
Para a galocha: Verlon
Para ser moda: Melancia
Para abrir a rosa: Temporada
Para aumentar a vitrola: Sábado"**

Para extrair simbolicamente o ato de desestatizar, AMOR.

Ilustração: Vânia Medeiros

*Trecho da música Trem das Cores de Caetano Veloso
** Trecho da música Diariamente de Nando Reis {Na voz de Marisa Monte}

1 de agosto de 2006

Libertá

"no baú vai ser achado a sua estrela renascerá
a janela está aberta

a casa é sua, pode morar o que falta é alguém
falta alguém trazer prazer

durmo sempre no meu quarto sozinho
esperando você chegar
a janela esta aberta a casa é sua, pode morar

os dias vão me mostrando o que sei
e não quero acreditar
não tenho sentimentos nem hora
agora nada mais importa se nada me acalmar
nada mais vai importar"*





De um lugar seguro, de onde se pode ver o céu distante. Um azul distante. Os sentimentos se tornam capazes de ambientar espaços inacabados, como um coração traçado para estar vazio. A grande conclusão é de que não há possibilidades de verdades cabíveis no cotidiano e que até as não conquistas fazem parte do chamado "miud
inho do dia-a-dia". A sensibilidade, característica marcante nos insetos coloridos e nos órgãos reprodutores dos vegetais, acabam inspirando novas expectativas de amorosidades. Românticos, tem nessa esperança a fuga e, quase sempre, a interatividade com um tipo de realidade inventada.

Outra realidade, ainda mais ilusória que a posta.
Podem ver por essas palavras que uma crise se instaura na percepção sobre o jogo da necessidade pictórica do prazer e da necessidade de outrem. Uma crítica a tal regra personalizada nas convenções sociais e radicalizadas em artes. Um andar. Um olhar assíduo na desconstrução de prioridades.

Carnavalizar as sensações de acordo com o movimento cada vez mais pragmático. Do insípido colarinho fino rosa, da imagem encarnada na estampa de algodão, no gosto branco dos dentes no sorriso da moça que atravessa a rua nesse momento.
Nas ruas escaldantes de sol se escondem as inimagináveis construções simbólicas do relacionamento social! Amantes são realmente compreendidos e são lindos. Ah! eles são lindos!





"A sorrir
Eu pretendo levar a vida
Pois chorando
Eu vi a mocidade perdida
Finda a tempestade
O sol nascerá
Finda esta saudade"**






Vai ver o instrumento utilizado para descontrair seja inseguro o bastante para obter algum tipo de criatividade. O limite do trivial, do comum. A sensibilidade retratada é mais um estético arbítrio, liberdade de escolha. Para ser mais sincero destino existem e estão determinados. Ou ainda mais, as escolhas é que são destinos!

Falta simplesmente a irradiante possibilidade de conquistas. De certo falta beleza. De certo!




"Ah, se eu aguento ouvir
outro não, quem sabe um talvez
ou um sim
eu mereço enfim

é que eu já sei de cor
qual o quê dos quais
e poréns, dos afins, pense bem
ou não pense assim

eu zanguei numa cisma eu sei
tanta birra é pirraça e só
que essa teima era eu não vi
e hesitei, fiz o pior

do amor amuleto que eu fiz
deixei por aí
descuidei dele quase larguei
quis deixar cair

(...)

Que desfeita, intriga, o ó!
Um capricho essa rixa; e mal
do imbróglio que quiproquó
e disso,bem, fez-se esse nó

e desse engodo eu vi luzir
de longe o teu farol
minha ilha perdida aí
o meu pôr do sol"***


Ilustrações :: Arquivo internet - Iansã Negrão - Vânia Medeiros


* Letra da Música Baú da Banda Mombojó

** Trecho da letra da música O Sol Nascerá de Cartola (No pout pourri Dois na Bossa - Elis Regina e Jair Rodrigues)

*** Trechos da letra da música Paquetá da banda Los Hermanos