22 de maio de 2010

Arcabouços


Surrupiou, anulou o samba das moças, segregou a ilusão do rock'in'rool. Quanto mais de sua meia verde. Punk pink de cheiro de sabão em pedras, aromatizado artificialmente com sugestão de rosas. Fazia sentido acordar - bom dia - lençol desarrumado, cuspir espuma de mentol com eucalypto, café escuro com mergulhos de biscoito maria, cabelo no espelho, chaves no cadeado de portão aberto, caminho.

- Te vi hoje, indo para o não sei aonde
- Olha... nem eu estava conseguindo me enxergar nesse dia normal
- Pois, pra mim não era assim "normal" pra você
- Meio exquizofrênico né?
- Lisonjeiro, diria. Captando a assiduidade do cotidiano, acho bonito.
- E por que não me indagou? talvez fizesse sentido pra mim acordar àquela manhã.
- Sorte minha se pudesse, ficou incompatível o espaço, era ambiente de movimento, construção de muitas imagens pela janela, cinema permanente até que...
- Até que...?
- Eu fui lá fora fazer parte do dia-a-dia.
- Não é que eu não goste do rotineiro, por favor não me leve a mal.
- Absolutamente, por isso achei especial a contemplação do óbvio
- Nem tampouco sou filófoso, bondade sua. Talvez estivesse a observar o que me era comum.
- Mesmo esse me chama atenção.
- Bonito esse seu olhar.

Compartilhou. Aludiu as alegrias estampadas nas rodas e saias girantes. Optou pela distorção holulante da corda da guitarra. Romântico pitanga do cheiro de folha de mangabeira de estradeira e lençol de chita da casa de minha vó. Era dúvida ao dormir - por que trocar de roupa? Não me vejo na tv? Lençol no chão, arrumado? Quem quer pensar no dia que ainda há de vir, se vier?

- Feliz?
- Juntos, diria eu!
- Então feliz, certo?
- Sim! No meu coletivo de cirandeiros.
-Obrigado e bons sonhos!

29 de abril de 2010

Sem lavores ou ornatos


Um homem está nú!

Seus dedos dos pés às mostras pelos arreios soltos de uma sandália velha. E ia mostrando a saudade pelo sangue. Eu disse que ele estava nu e descortinado. Selvagem! E as pernas eram músculos invencíveis, daqueles involuntários que perpetuavam agonias latentes de liberdade. Pregavam de medo, como cãimbra. Mesmo assim, não parava de andar, quase transparente. Nem ruborizava quando suas grossas coxas balançavam como espasmos. Objeto de desejo dele mesmo, que também tinha às vistas suas obscenas crises de auto-piedade, nada mais que um eufemismo antropológico para o que se chamaria "narcisismo".


Ao falar de pequenos pudores, não dá pra notar que o homem tinha um pênis normal. Aquele falo elegante não era sexualizado, nem tinha marcas de expressão. Estava preso alí e exigia força, talvez até virilidade. O pau do homem, pra que todo mundo olhasse era só um signo de índice: ou seja, um homem esteve alí! E não fazia muito sentido mostrar a barriga não definida, ele não era definido, isto estava óbvio. Parecia tão natural sua indiferença às respostas que quase sempre se questionava para que serve aquele umbigo alí no meio, continuava a questionar parado em um lugar público. Suas visceras eram notáveis, manchadas de lisergia e de memórias de inconsequências cabíveis para seus momentos de construção de história. Pelo menos essa era a justificativa plausível.


O homem não estava nú sozinho, mas ele estava nú e isso era o que comovia para essa leitura. Pois mostrava os peitos abertos, lânguidos e sutis ao mesmo tempo. Como se batesse vertiginosamente uma bomba de um lado e o outro calmo não reagia. Seu lugar da sensibilidade era o peito, as argolas, as emoções, os sentimentos. Largos ombros serviam para deteminar o tamanho de braços e mãos, quase pedintes de afago. Pescoço destroçado, mal serviam para segurar a última parte do corpo em pêlo.


Olhos e bochechas ruborizados, afinal ele estava pronto para ser devorado por outras visões. Orelhas de mesmo tom de pele eram coloquiais, mas nem sempre demonstravam carinho e segurança. Traíra este homem muitas vezes. Não mais do que sua boca em carne. Lambisgóia que era, estava alí presente e pronta para uso, indeterminadamente. Nua, essa boca, assim como as palavras que ele tinha coragem de produzir, peladas! Não tinha cabelos, se vocês querem saber e então sua mente fervilhava em graus quase esquisofrênicos de ternura. Lapsos de sinapse, eletrostática em movimento. Esse homem era impuro, como o vento. A diferença é que agora o homem estava nú e ninguém conseguia enxergar.

21 de abril de 2010

Por outra margem...


E se acabou de ir e vir e de tanto voltar que estava sem beira. E se alongou de reunir a inerência do andar como rosa de feira. E se imaginou no rito de ruir e implantou uma liberdade de beira. E inovou na posição de cantar ouvindo mastros de bandeira certeira. E se mostrou como mágico na cisao dos segundos mandando os cortes para a luz a escuridão rotineira.

Oh pessoa fora do roteiro, realinhe seu olhar para o real, para que sua inexistência não siga reta sem curva, sem eira.

E rosnou gritos de silêncios para fazer inútil sua razão passageira. E observou atentamente a poesia que se acaba por si na praça para montar como arte a sua humildade, besteira. "Minha alegria num instante se refaz, pois temos o sorriso engarrafado"*. E não comprou sentido no supermercado, estava em falta a ilusão varejista. E foleu a revista de ação, com imagens de dragões cuspindo fogo por que a aventura era sua inteireza brejeira.

Oh pessoa longe do destino, componha um certo número de verso que estará pronto para a serra estradeira.

E depois de sentir qualquer coisa que não estava a esperar, entendeu que a imaginação é participação de si mesmo para a construção do caminho. Partiria agora para a alcunha de pessoa inteira!

Foto: Vitor Freire
* Trecho da música Parque Industrial de Tom Zé

6 de março de 2010

Puta homem de esquina


Ela bebeu um pote de sentido tosco. Não queria mais andar na rua de pijama como fazia anteriormente por que já estava crescidinha demais para se amostrar desse jeito. Se enxergou, disse o homem que vendia geladinho na esquina, na casa do me despache. Serena, se mancebou de um sujismundo qualquer, era seu tipo preferido. Podia então olhar para o pífio autor desse texto? Óbvio que não, tinha coisa mais importante pra fazer. GRITARRRRRR. Diria ela. Assim sem sucesso, renomeou a atmosfera das coisas, deu nomes diversos a solidão e acompanhou as doses diárias de uma morte anunciada, sem medo.

Conseguiu se abster das decisões mais importantes. Atravessara a rua sem olhar pros lados? Nada de mais instintivo era importante. Andava e andava e andava. E mais, ela estava des-limitada (quero João Ubaldo dentro de mim) em um rio de ilha salgada. Nesse momento cai gotas de orvalho no chão. como se as costas dela doessem sem mistério ou argúria (se é que essa palavra existe).

Aceitava o não como resposta sim. Pintava de vermelho a alegria dela para se incendiar de inocentes pensamentos excitados. Queria a malícia, queria a misericórdia. E depois de um dia dormindo sem parar para descansar seu corpo de-s-formado, ampliava a anunciação dos gêneros. E não se sentia completa. Ela, uma travesti de ponta de rua, de esquina, de beira de estrada, não tinha mais sexo... rasgadaaaaaaaaa solentemente pela esfera do natural. Empina a bunda negra chulada, dizia pra ela. E no amor egoísta se apaixonou pelo homem mais másculo da festa.

E a vida não era mais do que a harmonia de laços ergonômicos. Estava perpassado pelo jeito e ampliado pela vontade. Correu dos espaços e ainda tinha alí a voracidade de um animal abrupto. Ela que não se eximia, indolente, surrupiava a visão alheia pra si. Tinha pensado sozinha todas as frases torrenciais. Essas que cai em gotas de doer.

Até rasgar os quadros, ela rasgou. Amputou o seu pinto, filho da galinha mais florida do quintal e no final, mais macho que ela só a liberdade que cuspia na justiça. Ela dançava à distância e a virtualidade resolvia a misericórdia. - Não pressuponho estigma. Homem que sou, nem de mulher eu gosto pra ser denominado em complexo. GRITAVAAAAA. E o mundo não se acabou. O rei, esse que é o povo, está nú e eu só vejo o seu sussurro.

Foto: Tiago Lima

1 de março de 2010

Me renda



Upload feito originalmente por Vânia
Ela me rende pela simbiose. Um tom sutil de saliência corporal, um aglutinar complexo, como se rede montasse a liberdade invariável. Uma opção ilimitada de carne, encorpada de vermelho vivo.

artmosferailimitadadesurpresa

-------------------mais o mistério que se renova!
eu rendido!

26 de fevereiro de 2010

Carnivália V


Um aporte e um mastro colorido, nada de novo com invenção. Uma estrada longa iluminada pela energia do gole. Um pulo característico e totalmente estranho, sem força, com ânimo. Uma particularidade bastante abrangente para que todo mundo se exiba nessa sua amostragem tão coletiva. Um mergulhar fatal e inofensivamente sensual. Uma interatividade ilimitada, consciente, distraída.

Nada de mais no mundo da carne afetada. Plumas e paetês com sabor de umbu-cajá docinho. E por baixo da saia justa do homem mais másculo, tímido desejo. Um oráculo teria afirmado que de alguma forma, não me interessa mais o real.

Pelo menos, há uma semana sem máscaras, sem aspas e com um prazer ligeiro.

Daí me deixei ser beijado em praça pública, ou melhor no meio da pista quando um caminhão atrás de mim queria passar. Deixei de ouvir todos os sons. Beijei e voltei a balançar o corpo como movimento uníssono. Todos faziam a mesma coisa em volta de mim, cada um de seu jeito. Beijei mesmo e não duvido de que eu não sou mais nada de mim depois do simples fato de que eu não preciso provar nada pra mim mesmo, como se criança voltasse a ser naqueles dias.

Ah! aquela semana sem máscara, no qual o desafio era se manter vivo e em troca imensidão de sabores estariam a disposição. Violento e saudável, como se a agressividade, o ódio recolhido também fosse o lugar das sensações como doce para os olhos de criança.

Depois de beijar, sim, subi no caminhão para ver se eu ainda estava alí. E estava. E o moço que veio de longe me disse, você alí, como os outros, é o chão suspenso, é a mágica. Por isso, estamos assumindo que por mais que não ame a vibração por liturgia, me absolvo no Chame Gente. Meu coração é igual!

Foto: Fernando Vivas :: A Tarde


Pelo meu bonito Carnaval, com uma linda visão do trio elétrico, esse carro que longe de oprimir, me redime e me religa! Esse manifesto de sensibilidade e nervos aflorados. Para os companheiros de publicação diária do Jornal, todos eles e elas. Para Ismael e para a querida e intensa Bruna. Para o amor e carinho que tenho pela timbaleira do meu amor, Lari. Para a parceira inteira, Celine. Para Larissa, Vinícius, Filipe... Para os ânimos bonitos de quem voltou. Para o sorriso sempre elegante de Raiça. Para a beleza estonteante de Mônica. Os abraços do querido Tiago Lima, o beijo saudoso de João Meirelles, o olhar gracioso de Camilo Fróes. As filas de Rick, Salim, San... Aos mais belos dos belos, pelas minhas lágrimas. Para Carlinhos, o Brown! Sim, Moraes, pra você que me fez sentir carne de Carnaval!

8 de fevereiro de 2010

...Clara


Clara aceitava a impáfia como obstinação era ela simpatia na sua lógica sem demolição de argumentos construia histórias de inverno com fitas vermelhas e pulava para espantar o tédio mas era frio, menina? - eu só quero saber de amanhã tem vaga? ela perguntaria se soubesse também assobiar pra chamar atenção. Eta, Clara imã de amores brutos era robusta para satisfazer aos homens de meia idade ou que falasse alemão pra ela ouvir filosofia barata e não entender, como hoje não entende em português. Quando crescer vai ser paisagista sem saber muito o motivo e agora estava parada espero o ouvir aglutinado de vozes e então ficava triste por besteira por ser fisgada mais uma vez pela música pop por não ter lido o clássico da intelectualidade moderna por saber a dança da moda antes de todos por ser Clara, mesmo preta mas disso ela se desligou, cansou! Registrou seu desentendimento com a sobriedade e não desvencilhou do cansaço como nobreza assim fazia arte, como criança aprontando (com) seu destino. E o que ela mais gostava, antes de tudo era três pontos de continuação

7 de janeiro de 2010

Ain't no sunshine*


Ele logo me olhou com esmero, antes mesmo de eu estender o olhar para sua direção. Nem sequer pressentia aquele vislmbre. O desvio sínico do olhar o denunciou entre batuques e luzes amarelas. Era quase carnaval na cidade, era calor de janeiro. Batucada na rua para alegrar os corações alheios. Também para vender música de sucesso e manter a indústria do entretenimento. Mas isso pra ele é uma página a virar. O que mais importava era a pele escura que exalava frescor, como cheiro de flor de laranjeira no salão de samba antigo ou perfume de pitanga no cangote da menina [imagem borrada de melancia no chão caída da janela]. Queria eu que cessassem os arrepios ao sentir o cheiro das folhas de pitanga que se jogam no chão em oferenda, talvez não sentisse também a vontade que dá dos braços dele acariciando meu braço até apertar de leve a minha nuca como carinho desavisado no meio do dia. O sol nos aproxima cada vez mais, como se a pele entrasse em contato com uma energia de ligação, produção e criatividade de cores. Passam o sol se pondo, a lua cheia do mar, a areia quente que se vê da janela do ônibus, o verde dos coqueiros do Jardim de Alah. A alegria é quase uma ditadura, sorrisos abertos para a coletividade impera. No fundo, me sinto cansado, até lembrar que ele me procura pela cidade de ladeiras...

*Título de música do Jackson 5

27 de dezembro de 2009

Por uma noite apenas


Nossas mãos se encontraram num similar toque. Algo tão inesperado como um episódio inédito daquele seriado na madrugada de sábado quando nada se tem a fazer. Felicidade espontânea. E tudo mais era um glorioso sentimento de mistério e de sorte. Havia muita coisa a ser dita e antes de mais nada havia pouco a ser proposto. Ufa, ainda temos as noites para passar em claro só para enaltecer a nossa companhia. E eu que não mais me imaginava no impulso do amor sem contenção, estava lá a admirar o momento como magia ímpar. Queria que a solidão tivesse ali a me ver naquele momento, morreria de tédio e ligeiramente se sentiria rejeitada. Particularmente, estava inteiro ali, com um palpitar sensível e uma vontade de que o olhar se ampliasse e de forma crescente como assim queria nosso pensar.

E assim continuava. Sem teto para vôos inseguros, sem chão para lisergias irrisórias. Cartas de baralho eram fichinhas, o que estava em jogo era o estar imerso um no outro. E não mais bastava, estávamos dentro um do outro, tão entranhados que se libertava de concretudes amenas. Que os outros ouvissem os nossos ruídos de emoção não nos importava, embora poderíamos incomodar com a altura da nossa falta de limite, da nossa zoada simbólica, do nosso despir-se. Desnudos, éramos só o sexo! Puro equilíbrio, tesão sem nostalgia, tensão com prazer. Encarnados na madrugada afora.

Quanto mais se ia a escuridão lá fora para um lugar descompromissado com a agonia, mais neblina torneava a luz amarelada que penetrava amena pela fresta da porta entrecortada pela persiana. Iluminava parte do rosto dele que de vez em quando se transformava em sorriso ou em rusga de apaziguamento. Observamos que não tínhamos mais relógio possível e que também não podíamos deixar de pensar que haveria de chegar o momento do sonho. Mesmo assim a nossa esperança de cumplicidade nos impedia de sair Dalí, por desejo.

Mais se colocava o toque como pincelada de palavras vãs e conversas rasteiras do que a noite nos propunha. Éramos profundos demais para requerer uma vida desassistida de encontro. Mal se podia parar de pensar no próximo momento e como era divertido passear pela simples capacidade de compreender. Era o amor ali, como paixão pelo discurso. Um beijo na alma. E tinham ali mãos encontradas, certas de que mesmo vindo o depois, sempre estará ali aquele momento como a realidade mais possível. E então, sem radicalismos morais, com alteridade assistida, rodeado por um relativismo sensato, nos amamos como carrossel em parque de diversão. E como roda, segue a vida, agora em comum.

Pela convresa que tivemos e pelo amor ampliado

30 de novembro de 2009

O homem que me queria


Ele me olhou de longe e com uma saudade nos olhos argumentou qualquer coisa que fizesse um sentido para nós. Quis me dizer palavras bobas e irrequietas, na condição de liberdade saliente. Mais do que querer, ele ansiava por um olhar qualquer, sem perder nenhum sentido. Eu bem que quis tentar desviar a sutileza, mas me contentei com o abdicar. Deixou de me querer de forma efêmera.

Ele me olhou de longe com o interesse de obter mais informações, muito menos do que o carinho necessário. Quando estava a ser observado, entendi que ele me queria mais do que o tempo, menos do que o espaço em volta, como se quer a uma história coerente. Eu bem que tentei disfarçar a minha insegurança naquele momento, já que não estava a contento de suas expectativas. Deixou de me querer de jeito paciente.

Ele me olhou de longe na inventividade de um olhar para me exigir o direito de ir e vir. E eu que tanto prezo pela liberdade de outrem. Assim que ele deu uma brecha no olhar, cuidei de ter um óculos escuros, uma nova imagem a me fixar. Pensando bem era como se eu mesmo me quisesse e não conseguisse absorver o querer.

Ele, então, nunca tinha estado a me querer. Passou despercebido mais uma vez. Deixou de me querer.

10 de outubro de 2009

cotidianos desejos


Ato 1

Estava pronto. Parado em frente ao portão principal, estava na hora de mostrar a que veio nessa vida. Era completamente legítimo a sua investida, sua empreitada. Consegueria desde então se provocar no intuito de assumir outros papéis. Surpreendente, falaria em público sobre desenvolvimento de diretries políticas mais íntimas. Queria ter se preparado mais, mas sim, estava pronto - dizia. Sorria delicadamente por que tinha o interesse de evoluir e estava na hora exata para isso. Migrou seu destino para a razão que masi lhe importava, acreditava que saira do lugar no exato momento da emoção conflituosa, abriu o ferrolho, ouviu o zom trêmulo das grades se tocando, seus passos. Entrou...

Ato 2


Encostou os lábios atrás do lobo da orelha, pouco antes de chegar ao pescoço. Tinha suspirado. Arriscou um leve toque no rosto como se dissesse: quero sem muitas dúvidas. Deixou-se ser mordiscado de leve no queixo com poucos pêlos, enquanto mão direita firme na sua coxa. Então sua mão conduzia carícias nas costas por dentro da camiseta que subia automaticamente. Sentia volume em sua roupa de baixo, o outro também. Sangue. Movimento. Tronco nu, de costas, fungadas pela nuca, apertos e gemidos sutis. Agora nariz próximo ao umbigo...

Ato 3

Torcia para qualquer que fosse a falha no seu computador. Isso já que
as vezes vem consertar hardware, mas seu sorriso parece vírus que confunde meu software pessoal e mais íntimo. Sempre o vejo com olhos de virtude e ele, com jeito tímido, entende que toda vez que o chamo é como se abrisse um aplicativo de mídia social e nossas redes se encontrassem para troca de bits e com direito a uma boa memória. Aí, tenho que desligar o pc...

Foto: Guilherme Athayde

13 de setembro de 2009

Redenção a cores


Passou em frente a loja companhia das cores no centro da cidade e decidiu entrar. Logo foi recepcionado por uma atendente. Depois de avistar uma caixa de lápis de cor bonita, pontas afiadas, diversidades de cores pediu:

- Você pode me mostrar a caixa de lápis de cor?
- Óbvio, disse a atendente. O senhor fará muito bom proveito dela, penso. Continuou ela...
- Quiça farei. E pensou: Será mesmo. E retrucou: Ainda fico no exercício de tentar ilustrar pensamento menina. Sou ainda bem iniciante, mas não vazio. Sei o que quero dizer, mas tenho que me concentrar pra dizê-lo de forma consistente, os meus riscos são resultados de leituras ainda por amadurecer. Foram escolhas e oportunidades a feitas. Essa caixa não me dará redenção, mas me proporcionará caminhos simples de outras descobertas com as novas navegações. Poderia horas falar de minhas outras incertezas, mas não tomarei seu tempo.
- Já embrulhei a caixa para que leves. Agora a saber, a falsa modéstia é a forma mais primitiva de esconder a falta de coragem. E você está certo, o medo não significa o vazio.
- Quanto é? Cortou o assunto...

Deixou de andar pelo centro da cidade pra que cena como essa demore a acontecer de fato.

6 de setembro de 2009

O passeio por duas loucuras


Prôpos um pacto de silêncio... psiu!!!! olhando ao redor vestia-se de armas de flor de lótus para se certificar que nada o alncançaria. Solidão. Um correu para o lado de onde o vento não vinha para enlaçar folhas verde macio. Outro se manifestou por dois grandes motivos: a libertação de seus desejos e a maturidade de sua infância.

Perdeu os méritos no meio do caminho. Segundo especialistas, não há o que temer quando se logra algum desperdício de tempo. Ao contrário, coragem rapaz! A inexistência da verdade lhe propõe dessa mesma forma um universo de encantamentos que pode ampliar as visões a partir desse momento, adiante. Eu que não sou sozinho, me busco nas intermitências dos carinhos alheios, pensou de forma abrupta e num canto qualquer.

Ah! o amor, deveria descorrer aqui sobre o que esse desafio proporciona de mistério. Mas é isso mesmo que parece a loucura. O MISTÉRIO, como a fantasia, o é. Não optou pelo momento de normalidade, acorrentou-se e entendeu que as realidades confortam a sabedoria. E quando se olhava no espelho orgulhava-se de batatas da perna, do prazer que sentia pelas coxas grossas e por ser homem. Gostava do pênis entre as pernas, gostava de fazer a barba - por ela existir. O outro não muito, já que se percebia feio.

- Beijou o espelho.
- Andou pelo jardim estático onde observava outros.

Vai continuar pelo meio do caminho seguro. Agora, distante de realidade, um abraça o outro, choram pelo conforto e são alegres em diversos momentos como se sentiam alí. Um abraça o outro felizes naquele momento, como tristes em diversos outros. Um toca o outro como se o prazer fosse merecido e como se o gozo fosse memória. Arrepiou a pele:

- Sua mão desliza pelo braço forte de outro.
- Soltou o espelho.

17 de agosto de 2009

carta de amor assinada



Santiago, Chile.
25 de maio de 2013.

Meu querido aprendiz,

ando muito por essas noites, comentando fatos livremente. Embora soubesse de mim andante, ainda precisva encarar o fato de que o caminhar não siginifcaria muito sem que viesse consigo a produção dos passos que deixaria legado. E seria total absurdo destinar o momento lírico para qualquer sentimento. Já diria o poeta que a emoção vem depois da palavra escrita e nela contida sem esmero. Portanto, NÃO PROCURO MAIS A BELEZA. Não me faz sentido o bem fazer. O exercício por si só nesse momento é igual ao que poderíamos convocar como sinceridade, esta a única possibilidade de ascensão espiritual. O experimentar como o próprio caminho, a rigidez como a mecânica do dar passos, a árdua e voraz missão de andar.

POIS QUE SE INSTALE A SENSAÇÃO como prática do meu processo criativo. Que o tato me guie pela compreensão das minhas argurias na vontade de expressar com traços uniformes e divergências de cores o que aparecer no papel em branco.

A desformidade é o que me excita no dia de hoje. Já que não posso prever nas minhas células o que me congrega de experiência no estado/tempo de amanhã. Quando vejo paisagens construída com esmero não me significa tanto quanto quando percebo a proeficiência na arte que se tem a dizer arduamente. É como se fizesse parte do meu esquema de sentido ter prazer com aquilo que em minha visão/paladar/audição rui em desagravo com a certeza absoluta ou a imedieata decifração.

Inexiste em minha agora visão de mundo a CONSTRUÇÃO ERETA DE INTELIGÊNCIA, mas sim há a desconstrução de ligações frágeis de conceitos, já que se proliferam imagens em detrimento de criatividade. Mas as imagens existem em liberdade e elas que se renovem em sua habilidade de compensar o vazio.



Já que eu tenho o que dizer, falarei somente pelo silêncio. E nada fique dito por dito. Se minha arte é a minha salvação, minha raiva desmascarada, minha ousadia de não ser, minha ILUSÃO secreta. Então, minha arte é o meu exato não entendimento.

Com carinho,
Ela.
P.S - se a palavra perfeição povoar indexamente essa carta ou lhe parecer próxima, me perdoe, estava com sono e nem fiz revisão antes de enviar-te.

Ilustrações: Hannap e Rebecca Budde

4 de agosto de 2009

Noturnas


Chegava não muito tarde de suas caminhadas noturnas. Alegrava-se em balbuciar sons solitariamente enquanto apreciava as literaturas que as ruas a inspirava. O argumento mais profundo que construia sobre continuar a andar baseava-se nos aromas agridoces das calçadas - o cheiro do azeite de dendê que queima com cebola próximo ao carrinho de pipoca na frente da escola denuncia as argurias que ela sentia na sua boa andada noturna. Mas não atentava muito para os detalhes essa mulher saída da adolescência, bem possível que ela nunca realmente tenha reparado muito para os detalhes, nunca fora tão caprichosa assim. Fazia boas articulações de pensamento, com boa memória chegava até impressionar, mas sua falta de atenção não permitia que passasse da média nove. Optava pela sorte, diria sem pestanejar seguida de uma gargalhada sozinha.

Exitava em chamar atenção, por isso planejava cada passo tão obstinadamente que parecia calculado até os sentimentos que deveria ter, como se pudesse supor aquilo que teria de emoção. Também deixava de ser sociável já que tinha facilidade em saber do outro e como estava quase sempre em posição de meio-termo era fixada por poucos.

Mas chegava o momento. De repente chovia por demais antes de chegar em casa. As árvores deixavam pingos caírem aos montes e com força sobre sua cabeça ao mesmo tempo que a protegia da queda torrencial de águas do céu. Continuava no meio-termo, se escondia com os pingos grossos e as vezes se molhava pra chegar mais rápido ao destino. Tinha o caminho traçado por sua mente enquanto a chuva dava tréguas aos andantes. Livrou-se das obsessões trazendo fone de ouvido às orelhas já molhadas. Parou para ver o tempo passar na garoa. Era bonito de se ver os carros adiantando seus percursos, as mulheres aos braços com seus companheiros, as crianças nas varandas das casas.

Os outros dois seguiam correndo para melhorar a forma física. Cogitavam parar em uma barraquinha na ponta da rua com intuito de refrescar-se mesmo depois de receber águas enquanto conversam de diversos assuntos. Sabiam pouco um do outro, mesmo com muito tempo de companherismo de corridas noturnas. Ela os via vindo e entendia que não se supunha visível, mesmo assim tratou de observá-los. Perto dela, um deles precisava amarrar o tênis e de sobressalto tinha pedido um tempo para o companheiro.

Em um instante ela pensou em filhos. Seria possível alguém amar assim tão repentinamente? Uma paixão avassaladora, algo que atropela o peito. Ela sabia que tinha alí um desejo muito forte por construir a coletividade da vida com outro e isso estava palpitando nas suas veias. Era ele. Tinha encontrado alguém que lhe tomaria a alma e que construiria todos os sentidos das cores que seus olhos iam misturando em ação. Suas poucas mentiras já não importaria, já que ela já o tinha em verdade. Sabia que o chamaria de amor na frente de seus amigos mais próximos e seus pais assumiriam que ela era mulher feita. Ele retribuiria com supresas em dias de trabalho, recados de carinho e afetos saudosos. Ela o tinha em compaixão e mistério. Já tinha o amor.

Ele não descuidou dos dois cadarços. Estava pronto para voltar a correr. O outro voltou a puxar qualquer assunto, deram risadas contidas e continuaram a correr. Ela não tinha ainda escolhido qual dos dois amara naquele momento. Eles já iam longe, quando ela decidiu assumir a chuva e foi ouvindo música pelas ruas à procura de um amor. Ela e sua sinuosidade distorcida sob as águas.

*A regurgitar Clarice Lispector e sua via-crucis do corpo

2 de agosto de 2009

dois quartos de leitura


A terceira página do livro ficou marcada durante vinte e sete dias. Foi quando tomoou coragem pra continuar a saber do que era fato. Mal acostumara as inverdades confusas, mas confortantes, puseram em suas mãos algo que o mobilizara sem intermédios; sem subterfúgios. E seguiu-se os dias com a promessa de que a tolerância não cabia mais numa existência com sentido. Corrompeu todas as liberdades que quisera e foi caminhar sem rumo para um lugar certeiro. Urge a necessidade de intuir a decisão de não estar, como se algum dia soubesse alimentar o desejo com migalhas de almas que ficam espalhados pelos cantos do que achou de beleza.

O cotidiano, seria ele mais orgulhoso, o destino. Mais perspicaz do que a simplicidade. E foi aceitando a sua própria imperfeição como limite.

Ora, faz parte da vicissitude do pensar coerente a ilusão de não ser em espaços comuns aos olhos? Se houver resposta, que não se concretize em ciência, basta o querer como alento, deixa que a literatura seja mais abragente que a imagem e então faça a verdade escorrer pelos olhos como assim o fez limpando lágrimas com papel toalha verde.

Há uma máxima do desejo, a de ser proporcional a dor. Como não se sabe da existência do cotidiano sem marcas doloridas, presume-se que se possa ir esquecendo alguns desejos menores (?) como pássaros que se esquecem em galhos urbanos, ou frutas que se esquecem nas calçadas de feiras livres. Mas o querer é mais que a simples decisão de não ter mais dor e a guerra entra paz e movimento sempre vai acontecendo para que a complexidade de criar sentidos se torne aprendizagem. Faz parte do caminho, propõe-se, que os livros [naturalmente aqueles que povoem o corpo riscando a pele por dentro] assumam seu papel carrasco e lisérgico.

Minha leitura é a minha pátria, diria. E então minha compreensão de mim seria palavras em profusão.

27 de julho de 2009

E se foi falar de amor


Roda uma roda por dia essa ilusão de não estar. Aquilo nada mais é do que a brincadeira divertida de se apropriar da inversão lógica das coisas. Eu que não quero ser aprendi a gostar de me deslocar no "não estou". E para os que tem dificuldade de enxergar, aposto que ainda falta simplicidade no olhar para o movimento. Passou e é simples. Fácil mesmo é se namorar de sensações intelectuais, mais fácil ainda é apostar no que se costumou chamar de intuição e eu não estou mais uma vez.

E enquanto corria a roda do desafio, um mínimo de pessoas que não se conhecem parecem estar na velocidade instável. Passam por ruas e avenidas, entram caladas nos pequenos elevadores, ensaiam pedidos de felicidade aos outros. Como se nos outros se completassem e não tivesse a certeza que ainda faltava alí algo mais do que se espera.

Na coletividade há liberdade. Uma delicadeza irrequieta que não saboreia desamores, uma parcial seleção de interesses comuns.

Como se bastasse a ilusão, os sinais vermelhos não costumam ser pontos de encontro e a beleza, essa que almeja outros ares sempre que começa a fazer sentido, maqueia a construção de pontes poéticas entre o um e outro. Como a solidão não requer resposta alguma, ficamos imaginando quais as dúvidas que nos guiará sozinhos*. E então nos damos conta de que o desejo é uma construção do que pra nós a ilusão faz sentido.

Ilustração: Ceci Larea (Casimira Parabólica)


*Parafraseando Fabrício Carpinejar quando o escritor diz: "Nem o amor platônico tem direito de ser preguiçoso. Não requer resposta, mas é necessário formular a pergunta".

20 de junho de 2009

pensaminhando


O primeiro passo foi se convencer que nada tinha sido bruscamente se movimentado. Pronto, nem tudo mudou e os capítulos a seguir não pretendem ser licensiados por uma ruptura abrupta. Acabou-se os pontos e virgulas, nada de classificações.

O segundo passo foi entender o por quê de tudo estar tão diferente se nada mudou. Há um acre sabor na boca, daqueles pirulitos que vai modificando a coloração de seu paladar.

O terceiro passo não foi dado. Preferiu descansar um pouco de pensar no que se sucederia depois de aquele momento não ser o mesmo e também parecer novo. Uma confusão dos diabos, parecia que sua cabeça girava sem parar e por isso mesmo tinha que descansar.

O quarto e o quinto passos, perdeu o interesse por saber quais eram. "É fulero ficar pensando num destino traçado, sacou?"*

* Disse Ivete Sangalo alguma vez.

31 de maio de 2009

Por que era ela, por que era eu*


Muito pelo contrário. Tinha rasgado as desventuras da misericórdia. Alegara-se injustiçada pelo tempo e pelo tamanho adquirido da extensão espacial, se é que vocês me entendem bem. Ela não era simples, sabia, mas quem o dissesse de sua complexidade é por que não havia sequer chegado perto de suas intenções na vida. - As intenções que você tem no caminho, as suas intenções são muito sérias. Nada de planejar o destemido, tenha retidão no seu pensar e só isso lhe fará honesta com suas habilidades. Dizia a ela seu pensamento. E não vem ao caso discutir as habilidades dela, basta pensar que ela tinha rigor de viver e que não tem nada de abstrato nisso. Que história de veranear nas areias da praia macia. Ela queria mesmo era não esperar mais pelo coração acelerado e assistir de camarote o que construia aos poucos, o cotidiano, a prática da vida comum, mesmo que sentisse pulsar de felicidades momentâneas lhe convidando. Então, assistia televisão sem nem ao menos saber do que se tratava... chamava atenção as cores que tinha naquelas luzes velozes. E aqui tem um sentido de aparecer a televisão, por que ela construiu uma em casa com uma tábua de passar roupas bem antiga que não servia mais (não tinha roupas de algodão para desamassar). Também tinha uma lanterna, papel celofane, barulho de rádio relógio. Pornto! Faltava uma coisa: gente. Mas esse era difícil saber entender sua engenharia, então guardou o invento incompleto para quando soubesse todos seus "ingredientes". Ria sem parar das bobeiras que pensava.

Tinha paciência com crianças, de vez em quando. Só não gostava quando o comportamento delas era de gente que se sabia ingênuo demais. Ficava sem graça como brincadeira muito longa. Quando liguei pra ela, estava se arrumando para ir à praça brincar com algum infanto que estivesse por lá. Aí eu disse a ela que não tinha sentido e ela optou por me ouvir. - Se quiser ler o mundo enfrente meus medos, eles são muito parecidos com os seus, Nélia. E não dê risada tentando satirizar minha emoção, não vai servir de medida escapatória. Disse eu mesmo sem rigozijo, talvez temente dos pensamentos do outro lado. Nélia me disse que leu duas páginas de um livro que tinha guardado no armário de roupas, mas que estava meio sempaciência para poesias absurdas. Disse-me também que a diversão do seu domingo era fazer machucador de alho um microfone com sabor para adoçar canções que ela mesmo ia compondo com o eco da cozinha. - Se eu tivesse sabedoria de minha passagem pela alegria difusa ou pela minha oração, eu seria cantora, sabia? Me disse ela, também me acalmando.

Escreveu umas duas vezes no espaço virtual que seu filme preferido da nova geração era Madame Satã por que a liberdade estava alí posta na casa fúnebre e sexual da periferia do Rio de Janeiro em tempos atrás. Aquilo soava como jogo de sinal, quase que por acaso comentava rapidamente que gostava mesmo era do sorriso de Selton a qualquer momento. Recebeu treze comentários sobre isso que escreveu e quando lembrava ficava tensa pois não sabia se tinha verdade alí ou a necessidade de dizer qualquer coisa que viera a mente. Quando casnava de pensar, pensava mais ainda e isso era prerrogativa de sua paixão pelo universo de construção de sentido. Por acaso leu o jornal de sábado, pois não tinha o costume já que com o salário de secretária de médico homeopata mal dava para tomar a cerveja no domingo que, segundo ela, aliviava a tensão. No fundo, queria mesmo era saber do silêncio das coisas influenciada pelo que lera sobre um senhor chamado Smetak quando dizia que o sentido do som estava no silêncio depois que ele acontecia. Se ela fosse música, o que seria depois que ela fosse tocada?

Por sorte sobrara uns trocados para comer um daqueles congelados de supermercado. Era sempre uma alegria ter massa com verdura pronta para ser devorada com um suco de polpa de umbú. Em direção ao caixa achava que alguém deveria fazer fotografias daquele momento, cores e ilusões de ótica não faltariam para compor. Quando lembrei do trecho da música que tinha lhe dito antes ela já tinha saído de casa, como não tinha secretaria eletrônica não lhe pude deixar recado. Eu fico bastante envergonhado de ligar para seu celular, então guardei o trecho pra mim como se ela fosse pra mim nesse instante o silêncio promissor, esperançoso. Em outro momento pra mim, Nélia era o silêncio e só.

Imagem: Nina Neves
*Música de Chico Buarque, também tema do filme A Máquina.

Acho importante falar que os diálogos dentro da sequência do texto, anunciado com travessões devem ser visto como um elemento qualquer da narrativa. Minha proposta era dar velociadade ao texto, mas ao mesmo tempo penso que pode dar margem à qualquer interpretação de sentido. Que bom!