ilustração: meu lugar de imagem
Ao sentar na cadeira, a imaginação fértil e a possibilidade de criatividade percorre todas as glândulas e os hormônios incentivam os dedos já posicionados ao teclado! A verdade (tirando o fato de que ela em si não existe) é que são só besteiras de uma pessoa que se resume a um Fabuloso Destino... como o de Amelie... Sim, eu quero minha vida uma fábula!
21 de abril de 2009
Conversas de pé de ouvido
ilustração: meu lugar de imagem
20 de abril de 2009
Mistério de quem tentou pensar sem palavra.
, concordo - acho que não mais do que sinceras promessas há de puritanismo cartesiano. Corta-se os laços e derrama sentido no que não se escapa! Corte! há a liberdade e sim todo o positivismo. Tem um momento, pensou ele, que nada se começa com um ponto... tudo vem de antes e há até um espaço para se pensar e aí rosnou paciência sem pensar em como o leria outros [e se os leriam outros, imaginava]. Esperava por ninguém, essa era a sua grande missão e se completa a serventia nesse processo tinha passado de inteligência a fio para intolerância irônica. Resultado, ia perdendo os amigos ao longo do caminho, já que queria exercitar a simplicidade.- Calma aí, indagou,
tudo o que se produz de sensibilidade vai parar onde? Estava acostumado a tentar usar menos o "não" no pensamento, mesmo sem saber se ia dar certo. Para se socializar, não administrava idéias complexas, absurdos imaginativos e assim por conseguinte, teria o entendimento alheio como produto de vida. Massa, já sabia do que não queria e ousou gritar que não era mais o mesmo nesse exato instante. Ainda queria ser mais simples, chamar para perto Antônia da livraria e até fazer poesia para Zé.
"O que tomaram não era seu, José, que de ninguém nada se tira"*,
mas isso de exercitar a poesia do cotidiano era pra quem já tinha evoluído. E ele mal sabia administrar seus desejos, podendo até ser convocado ao réu de superficialidade. Era mais gráfico que cantante [tossiu duas vezes para exercitar o coração, beats de silência alterado em compassos e só asism musical se podia tornar, como tambores do Olodum ritmados no qual mais se prestava atenção nas cores do som. E estava unido ao som do timbau.] e assim era mais insinuante, mesmo que fingisse sabedoria excessiva. Tinham outros que viera nessa vida para ser e ele tava na vontade ainda de querer ser...
[...] emancipara o pensamento. Leitura de outros contos que não sordidos e mais profundo que a própria palavra de leitura.
Nunca tinha sido mais feliz sozinho e, no futuro, pensava em viajar para entender isso ainda melhor. Até convites foram feitos. Viajar é escrever junto com palavra de cor, sonhando-se pintores de mapas letrados.
* Trecho do poema An-dar de Raíça Bomfim
* Ilustração: Igor Souza
- ouvindo Olha o Menino de Caetano e lendo Aprendizagem ou o livro dos prazeres de Clarice
- para Raíça, pela saudade.
11 de abril de 2009
Eu que não sou artista, imagino...

O papel em branco, metáfora bem desgastada, não lhe dava nenhum medo. Muito pelo contrário, lhe ensinava a operar, como num ato cirúrgico. Tinha tranquilidade em pensar o espaço e os passos que daria pra desenvolver o que se queria alí nquele ambiente. Rasgou de ponta a ponta aquele lugar com a grafite do lápis fino até dar o tom da estrutura, a base. Argumentou antes a idéia pra si mesmo antes de escolher cores e tinta.
Esboçou algum desenho, ficou lá sentado a produzir e não se arrependeria de nada até o final. Talvez de algum traço mal feito ou inacabado, mas mesmo esse fazia sentido. Como se em algum momento relutasse por pensar não em palavras, mas em sensação de cores em desordem, manipulou seu objeto final sem saber se tinha realmente chegado no fim.
Pensando melhor, não podia se chegar a nenhum final alí. Não teria sentindo se aquele trabalho se reduzisse a contemplação única daquele criativo que compôs. Lembrou dos grupos de Jazz livre que da improvisação faz uma obra sem necessariamente prever o fim, não que ele não seja importante, mas é que o fim não seria a obra. E concordou.
Esperou um tempo para secar, fumou um cigarro na varanda depois que tomou um banho e se preparava pra pagar as contas quando o telefone tocou. Conversou com ela durante um tempo, falou que estava conhecendo uma galera nova que queria que ela conhecesse. Uns músicos diferentes, tinha também uma galera meio pop que conseguia falar da política administrada pelo governo de centro da europa ocidental. Na verdade ficou querendo um convite, não veio. Daí aproveitou pra falar de sua composição e que quando tivesse tempo e desvio de solidão acompanharia numa cervea num bar novo que tinha aberto perto do centro da cidade. Saiu de casa com as contas e depois do banco foi pro cinema descobrir que ainda faltavam coisas a serem criadas. Ficou com vontade de voltar pra casa e assim o fez, andando. Acabara de se apaixonar de novo pela vontade de criar.
14 de março de 2009
Saudade e aléns...
Como se ela aparecesse em cristais sem muito sentido. Eu vi a saudade aparecer nada embassado, tudo bem articulado aparentando uma liberdade que se dissovle pelos cantos e não ignora o que vem escrito como futuro ou destino. Saudsade não é palavra somente é composição de canção legítima, é sentido de caminho, é fantasia imagética. Como se a vontade de estar se limitasse ao desafio de se surpreender pouco a pouco. E então nada além do desejo e da memória te ajuda a viver em paz.
Eu vi a saudade em desenho amarelo, como tinta em água formando objetos inclassificável. Nem realismo, nem abstração puramente. Um quadro que não se esforça em si, é o próprio olhar, o complemento da ilusão em cores singelas. Saudade não é real, mas também não é somente criação. Saudade é.
E quando não mais me espantar pelos deslizes do tempo que obriga a formar imagens de um outro lugar de sensação, lá vem a saudade como uma invasora me dizer que eu preciso mais de mim do que eu penso. É que a fotografia que vi me disse que a saudade se forma como quebra-cabeça das emoções que me completam, como se os outros soubessem de minha solidão e me acompanham em lembranças. Como se eu fosse e eu sou.
Para e de Ingrid Klinkby
8 de março de 2009
Longas cartas pra ninguém I*
Ontem o dia foi longo. Não deu para sentar em uma pedra na beira do mar, ou embaixo da sombra de alguma árvore para ler, nem mesmo ir ao cinema. O dia foi longo, durou mais do que os dias anteriores e isso foi bastante diferente. Significa que me preocupei em sentir a respiração para ver se continuava ou de contar os passos na rua para ver se o sol não me pegava tão rápido nas costas. Uns pensamentos que ficam se movimentando e de repente paralisam o tempo. Duro mesmo foi o momento de pensar no tempo, o porquê ele e dinâmico, qual o motivo de acrescer os desafios e trazer cada vez mais a responsabilidade de se cuidar sozinho. No fundo é tudo fruto de muito medo. O medo alonga o dia.
Em verdade, estava querendo dizer que há os dias e eles devem ser bem vividos, como parafraseio a da Lis no peito.
Ontem também foi um dia que pensei bastante. E pensamentos são sempre um mistério, a gente começa com algo que nos chama atenção mas nunca sabe mesmo onde vai parar. Ah! Esses pensamentos que não superam as sensações. Sempre acho que vou ter respostas e as dúvidas aumentam cada vez que algum conceito vai se firmando. Como pré-conceito talvez, mas como algo sedimentado. Eu não acho lógico a idéia de que não teremos certezas, mesmo entendendo que só vivemos mesmo pelas perguntas que nos movimentam. Talvez por isso não consiga abandonar o acho quando as frases saem de forma afirmativa.
*Alguns trechos de cartas pra...
Bilhete
ide ir mais fundo
ide sempre
de sol a sol
de luz em luz
a dobrar os castelos
retos e curvos aos barracos
e deixar para trás os caminhos
e não olhar pro ontem
muitas são as noites
diversos os luares
e suntuosos os palácios de promessas
e incrédulos os absurdos da ilusão
onde - meu deus!
Quem – meu deus!
espinhos esgueiram-se lépidos e traiçoeiros
radicais promovem uma corrida infâme
ainda assim
e então
para o caminhante há de sempre o destemor
os buracos da estrada são visões
o olhar sereno, resoluto – a beirar o tempo
a visão atribulada, tórrida – esperando os momentos
o centro da dança das fogueiras em festa
a alegria do fogo não queima
alegria!
Toca!
ide ir mais fundo
ide sempre
de sol a sol
de luz em luz
a ouvir de sinos o eterno chamado
falando dos sinais a seguir
em cada longínquo campanário
no amor do canto de outrem
e só
e continua...
Texto (ou vice-versa)
Rosa - Ismael
Verde - Niltim
28 de fevereiro de 2009
One Tree Girl

Esse certo dia de se dar conta muito tem a ver com os encontros. Quando aparece durante a estrada alguém que não apenas siga os passos, mas que entende de percauços, parece como o acender da luz quando menos se espera. E essa menina me veio assim, como uma lâmpada que se acende pela estrada. Chegou, mais que no seu canto, chegou alimentando esperanças e sendo forte. Estava diferente do retrato da parede, muito diferente. Agora vinha com uma borboleta e o sentido de que há os dias e eles hão de ser bem vividos, sempre! Estava escrito em seu obstinado pulso. Não tinha apenas caras e bocas, tinha liberdade. E da sua beldade estonteante, delineava-se toda a destreza da menina mulher sabida de seus grandes desafios. E então, era enfim uma educadora de milagres. Mais a saber, era lutadora como referência.
E então seu sorriso [difícil e belo] foi me ensinando. Seu choro pela fome alheia era tão verdadeira que me arrastava. Sua fala sobre o destino da humanidade me apresentava uma revoluta paz. Sua simplicidade elegante me resolvia crises. Sua ambição por sempre mais amor me fazia entender mais um pouco o por quê. Então, por seu abraço e sua atenção, se tornava minha mestra.
E saltitante pelos mistérios desse nosso mundo, o que ficava nítido era que "girls just wanna have fun" e que ela apostava na melancolia dos sorrisos tipo "Vogue Itália". Gosta de prazer nos brilhos dos globos da boite ou da dança secreta de "Stick and Sweet". Ela é uma diva, uma estrela que aprendeu dos olhares, das carícias, das discretas intuições. Que entende de nunca desviar dos carinhos e de se apaixonar a todo o momento. De lembrar que as dificuldades devem ser resolvíveis, que as faltas devem ser preenchidas. A beleza marcada no seu corpo é absolutamente compatível com as inteirezas marcadas em sua alma, ela é importante para o mundo!
O que ela ainda não sabe é que como minha referência, tem agora um ser humano no mundo que, com todos os defeitos e com todas as fraquezas, a ama e a entende. A confissão está em quando aquele lindo ser humano dizer de sentir medo e de ser frágil, este simples educando nutriu uma esperança de também ser forte assim, mesmo que com menos potencial. Ela agora roda nos lençóis do destino como uma roda de samba colorida. Os pés que bailam pelo salão são de uma simetria de como se conhecesse o caminho da liberdade e da imaginação. E sim, ela sabe.
No toque do pandeiro que vai continuar, ela samba e roda em outras tantas direções, como uma boa baiana que vai iluminando o caminho alheio por ser, em si, a própria beleza da vida. Como uma árvore na colina a crescer. One Tree Gril.
*Para a menina árvore, minha referência, Juliana Lima.
26 de fevereiro de 2009
Carnavália IV

Os sentimentos continuam perpassando mas, como era carnaval, era nítido que a liberdade de sentir estava pontuado como eixo central dos olhares. E então, se molhavam de água, se enxarcavam de perfume, se lambuzavam de lama. Aquelas ruas permitiam mais. Bem mais. Então, se vestiam com capas de super-heróis, se infiltravam nos contos de fada, eram personagens da caixinha mágica de luz, se protegiam com máscaras ornamentadas e outras tantas criatividades. No auge, quando se olhava pra trás, descendo ou subindo ladeiras, uma multidão de cores se formava. Energizava. Emocionava!
O outro te sorria sempre. Quando em coletivo se dava "olares/oiê/ahan", quando se passava de timbaleiro, quando a espuminha pairava pelo ar, quando a água era jogada sobre o corpo. E tudo ia acontecendo como se em um outro lugar do espaço/tempo, como se outra dimensão acercasse, como em outro mundo.
Por outras ruas alí por perto, em um lugar não tão mais antigo, outros sonhos de momo. Frevos e passinhos acompanhavam a decoração de desenhos de beleza e delicadeza, além de confetes e serpentinas. A sinceridade da rabeca rangia os acordes junto a notas suaves de guitarra; os tambores de Naná com a Luz de Tieta de Caetano; a verdade nos olhos de um moço lírico; o povo acompanhava madeira do rosarinho com mãos pro alto; e sambas em alto-astral.
Tinha também sucesso pra quem quisesse e água pra beber. Macaxeira com charque a rodo. Lugar inflável de deitar. Tinha desejos diferentes, corpos juntos todo tempo, corpo querendo descansar, também. Teve sempre Hino ao elefante, orquestra de rua, povo de beijo e troça de coveiro. E não acabava por aí, mas como diz a letra da canção: "É de fazer chorar/quando o dia amanhece/e obriga o frevo acabar/ó quarta-feira ingrata/chega tão depressa/só pra contrariar"*
Para o afago, as carícias e as alegrias das solidões juntas de quem esteve perto no carnaval. July [gatinha], Gina, Amandinha, Emanoel [bebê], Victor, Zé[Dinho], Pat e Ramon [com carinho todo especial pelo cuidado], Celis e Rafa [com prazer de estar junto], Miloca e Lari [e seus olhares carinhosos,] Diogo e Franklin. Também para o povo da Lhama! Radamés e família com sua hospedagem. E todos que foram achados, vistos e queridamentes tocados por esse olhar que se resume aqui.
* Trecho do frevo Quarta-feira ingrata (é de fazer chorar) de Luiz Bandeira
4 de fevereiro de 2009
Prêmio
abaixo segue o texto que vem com o selo e a lista de inciações de blogs a recebê-lo. O selo ficará no layout do blog.
blogs que indico o selo:
A caminho de um outro lugar possível - Um relato do Fórum Social

Andando. O verbo no gerúndio para começar essa trajetória tem todo o sentido. É que pode não parece, mas um olhar sensível entre nós (leia-se, seres humanos) está em desenvolvimento. Contínuo, estamos em passos largos em direção a diferentes caminhos, alguns convergentes, muitos díspares, mas uma boa parte com destino ao bem-estar e à evolução. Esses trechos parecem positivistas, e os são na realidade, mas, de fato, uma marcha de cores, olhos, desafios, gritos e bandeiras diferentes pelas ruas de Belém nos fazem acreditar no que se acostumou chamar em Belém, na semana de 27 de janeiro à 1º de Fevereiro, de “um outro mundo possível”. É bem verdade que as notícias, o cotidiano, as perspectivas político-econômicas de futuro não parecem tão animadoras, mas a fé e a paixão daquelas pessoas pelos seus ideais me fez acreditar também.
Chegamos em Belém dois dias antes do Fórum. Isso para podermos participar do I Fórum Mundial de Mídia Livre, no qual, comunicadores, pensadores e ativistas do mundo inteiro discutia, antes mesmo do Fórum maior começar, o que podemos fazer para que o direito humano à comunicação previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos fosse respeitado e fortalecesse o respeito aos outros direitos fundamentais. Uma grande roda foi aberta, inclusive ostentando o banner que indicava a I Conferência Estadual de Comunicação do Pará. Muitas experiências interessantes e muitos pensamentos de futuro da comunicação como integradora e alicerce do desenvolvimento dos países latino-americanos foram expostos. Saldo de demandas e articulações a acontecerem 2009 afora.
E então começa o Fórum. Do mercado Ver-o-peso, uma caminhada de quase 100 mil pessoas colorem cada avenida. Gritos de ordem, camisas e faixas com dizeres, fotógrafos, câmeras e jornalistas de línguas bastante diferentes na tentativa de tornar memória aquele momento. O que nos rodeava, além dos olhares atentos das janelas de prédios, bancos, Mcdonalds entre outros, era a arquitetura pomposa daquela cidade. Nessa hora a emoção do estar junto já contaminava até a Praça São Braz, onde os jovens, os povos, os mundos de cultura povoaram o palco armado. No ápice do dia, diversas tribos indígenas da região amazônica tomaram o microfone e, em coro, cantaram o Hino Nacional Brasileiro, na língua deles. Nós? Acompanhamos em melodia e no choro nas faces. Outras tribos passavam pela gente no chão e o mundo rodou em nossas mãos. A bandeira do arco-íris estendida e a banca que vendia livros em cabides também foram exemplos marcantes. A cor amarela da luz indicava noite e estava aberta a liberdade de expressão e o desafio da convivência por um lugar melhor pra viver neste planeta.
As portas das salas das Universidades Federal Rural e Federal do Pará escondiam uma imensidão de questões que povoavam esferas de discussões tão próximas quanto absolutamente distantes de nossas realidades. A escolha era uma questão séria. Ir para a discussão sobre a comunicação para o desenvolvimento ou para questões de políticas públicas de juventude? Era tudo ao mesmo tempo e agora. Ao longo do caminho era encontrar pessoas, saber do outro de tão longe, agora tão perto. Era experimentar linguagens, comidas típicas (açaí com charque, maniçoba do Pará, Tacacá no Tucupi), olhares, artes e artesanatos, experimentar a sensação de descobrimento de si mesmo em que você tenta não se esbarrar.
No meio da estrada, entre uma sala e outra, era calor em princípio, até que, em qualquer momento no meio da tarde, uma chuva torrencial caia sobre nossas cabeças com direito a trovoadas e relâmpagos.
Molhados, continuávamos sedentos por mergulhar fundo naquela imersão sócio-cultural que nos convidava a conhecer mais profundamente rios de conhecimento do mundo inteiro. Então fui escolhendo aos poucos. Políticas públicas ibero-americanas de juventude, direito à comunicação, criminalização dos movimentos sociais, ouvir Marina Silva, entrar no stand dos 50 anos de Revolução Cubana... e outras tantas experiências.
Há muito também a se criticar do Fórum, é claro. Ainda não consegue ser propositivo, a organização desorganizada dos ambientes, a falta de concentração e dispersão que atrapalhava algumas atividades e algumas outras de ordem filosófica. Mas, o saldo foi positivo!
para Sarah (Maria), Mônica (Raquel), Flávia ( - )...
15 de janeiro de 2009
Risos do vento

Cerveja gelada seria o esquema para, além de aliviar o pensamento, esfriar a quentura interna. Sentaria numa praça qualquer se não tivesse se sentindo tão extremamente só para sentar em uma mesa de bar rodeado de gente. Prometeram caminhada a ele, lembra-se, prometeram até carícias sexuais talvez, mas de fato tinha mesmo era livros à mão cheia.
Então, estava amando. Só podia ser isso. Amava estar no lugar que era a imaginação profunda e assim, estava certo do caminhar vivente. Era esse o mistério? Saber que seguir em frente é criar as imagens sem precisar fechar os olhos como holografias de uma vila amarela e rosa? Era mais do que isso, e não se atreveria tentar acertar, vai que o chute dá certo e a vida não vale mais a pena depois e etc etc etc.
só que faz da fé profissão
aliás em matéria de vender paz, amor e axé
ele não está sozinho não"*
Rodante que ainda não sabe se é, preferiu ficar só pensando. Ele é ingênuo esse menino. Se perguntar de suas grandes experiências tropeça em seus míseros vil metais. Esvaziou a mala perdida pelos cantos da casa para ter surpresas, tomara que encontre mesmo algo. Quem sabe um grande amor! Oxalá!
Liberou as estradas para ser pisado pelos pés alheios, como forma de prazer e castigo, ou os dois fazem o mesmo sentido em algum momento. Por enquanto distribuia sorrisos pra todas que passavam em vão. Ela mais real, outra mais introspectiva, ela (quando se olhava no epelho). Ainda vai sorrir mais, deixou escapolir agora essa frase de um canto da boca olhando o mar do alto daquela colina!
* Trecho da música Guerra Santa de Gilberto Gil
ouvindo Waiting in vain na voz de Gil
11 de janeiro de 2009
Cenas de limites

Um carro de cor mostarda atravessa a rua. Vidros abertos para circular o vento, janelas para criar composições da cidade. Enquanto em movimento, fotografias vão se formando lá fora. Menino caminha no passeio acompanhado pelo pai, bicicletas também circulam com seus motoristas, pontos de ônibus vazios naquela tarde. Parece que há uma assiduidade no limite do estar em algum lugar indo a outro lugar. Pára-brisas e retrovisores a postos. A visão adelante e traseira também, então. Alguém mexe no volante como se soubesse do destino ao longe. Agora seria o momento no texto no qual se sugereria ao autor que dissesse certas verdades sobre o destino e o tempo. Não que as perguntas estejam demodé, mas há uma demanda de leituras com algumas certezas inquietantes. Mas quem dirige esse carro não sou eu, sento no banco do carona e espero qualquer tipo de reação do tipo: "Me leve para seu desejo mais profundo de destino, assim estarei mais perto de entender a longevidade dos anseios e das dúvidas". Por enquanto me calo, sem respostas. Para desgosto dos leitores.
E então, passeando pela maré, sentiu a irrealidade de tudo aquilo que compõe a paisagem. Nada daquilo podia ser real. Seriam imagem borradas que só de longe poderia ter algum sentido [expressionismo - no jardim de Monet]. Se arriscou a molhar os pés com cuidado e olhou com agonia para o reflexo das águas como se um ente espiritual lhe encomendasse tal reflexão sobre a vida, sobre a incessante vontade de viver e mais imagens iam sendo criadas sobrepostas pelo balanço do mar. Nada parecia tão confuso, era uma arte esmiuçada pela vergonha de não se sentir inteiro ou pela incerteza do fazer parte. [surrealismo - transcendência de Dali]. Sentou na areia para contemplar a si próprio ao olhar para o ambiente. Mensurou suas necessidades e tirou a camisa para se sentir mais a vontade (ou desejado, quiçá). Entendeu que tinha orgulho de permanecer e ao ver os corpos que passa em sua frente, estava conectado.
Foto: João Meirelles
28 de dezembro de 2008
Um homem de sonho - parte IV

26 de dezembro de 2008
Um homem de sonho - parte III

12 de dezembro de 2008
possível parágrafo

8 de dezembro de 2008
G(D)ramático
ponto de exclamação
dois pontos
Isso por que o pensar não é ocupar um lugar no tempo. É o próprio tempo da humanidade. Orgulhou-se de ter ponto em comum com o ambiente, a vontade de pensar, de se decobrir na descoberta que talvez pudesse fazer com aquela reflexão toda. Também não abria mão de questionar os passos simples que dava. Tal como a música que escolhia no mp3 ou se a cor da capa de seu livro favorito combina com seu conteúdo e vice-versa. Mas ia parando por aqui já que a explicação não deve ser maior que a dúvida.
e ponto de continuação
30 de novembro de 2008
carta à Banda Larga Cordel

Eu ligo, ou melhor, eu conecto!
Há algum tempo, recorre o pensamento de que a continuidade da história e a prórpia construção dela se baseia no desenvolvimento dos conceitos de política, cultura e desenvolvimento. Mas hoje há a imagem e a criação dela que nos insere no mundo, pelo menos na história deste. Não se trata de romantismo a liberdade de criar e isso está muito claro quando Gil (o estopim de uma revolução) nos faz pensar que viver em comunidade hoje se trata de ligar-nos em ciência e espírito em infovias libertas, onde o copiar é sincero e potencial e as palavras vão se acrescentando em sentido. Esse texto é uma cópia, assim como tem a pretensão de rede (como se disse no começo). E você poderia clicar aqui para desvendar as imagens que se passa pela vanguarda desses pensamentos, mas é bom mesmo que você crie - ainda estou aprendendo.
A criação de subterfúgios e de metáforas para dizer o que vem a seguir seria mais simples, porém esse quer se dizer uma carta para agregar outros a esse mesmo pensamento: de que só a conexão nos libertará!
Uma série de pensamentos se abrirão e eu não me furtarei do pensamento de um movimento novo onde a arte e a criação artística é um ponto pungente para nos emancipar. Onde a política de nos fazer cultura junto, a nossa dimensão territorial, o nosso ser-tão Brasil, a mobilização e ação política e uma Banda Larga Cordel se constitua dinâmico e vivo para que a gente fale de si, produza novos caminhos com outros lados do espaço/tempo e participe ativamente da história!
O movimento de 22 e o tropicalismo está renovado nesse momento. Que encontremos a chave que nos tire da imagem de inércia e nos movimente em coletivo e conectados!
pela aula-espetáculo Banda Larga Cordel de Gilberto Gil e para as mentes pensantes de Sarah, Vavá, Maria Eugênia, Zé Diego, Vânia, Raíça, Tom Zé, Mônica, Patrícia, Juliana Lima, Franklin, Regina Casé, tantos outros e você se quiser assine embaixo!
Foto: Gilberto Gil e Banda Larga
24 de setembro de 2008
Um homem de sonho - parte II

Ilustração: Igor Souza
22 de setembro de 2008
Um homem de sonho - parte I*

* conto dividido em frações de vontades
Ilustração: Vânia Medeiros
29 de agosto de 2008
"... pra que minha vida siga adiante"

E quando ele vai me dizendo essas coisas embaratinadas, me explica sem sentido o que não consigo ver em mim. Ele quer um mergulho e eu o dou sem contestar. Pelo menos um choro e uma alusão às expectativas a seguir. Sabe caminho? Uma flor? Tudo vai se completando com a destreza do ser e parto a compartir os laços desse amor com uma visão próspera a outrem: eu tenho um plano, ir além do que se vê. E sigo...
Sentado na poltrona eu ando. Eu te vejo sendo naquela tela e caminho sentando mesmo naquele lugar estático. Eu te ouço e é como saber que não estarei sozinho a sentir as pontuações de um manifesto. O ritmo potencializa o afago das sensações e ainda há que pensar em um lugar pra montar a escultura do prazer de se saber caminhando.
Seja de ventura a caminhar por um bloco do eu sozinho, aceito a condição.
Para o Los Hermanos, Moniquinha e minha emoção.
* trechos de músicas e nomes das músicas.
