Ao sentar na cadeira, a imaginação fértil e a possibilidade de criatividade percorre todas as glândulas e os hormônios incentivam os dedos já posicionados ao teclado!
A verdade (tirando o fato de que ela em si não existe) é que são só besteiras de uma pessoa que se resume a um Fabuloso Destino... como o de Amelie...
Sim, eu quero minha vida uma fábula!
- Sobre a inquietação, tenho a dizer que há na intencionalidade uma visão irrequieta do mundo. Ora, se me mantenho atio, dou passos, construo, há a possibilidade de transformação prática. Ou seja, qualquer que seja a sabedoria não invalida a incoerência nos argumentos desde que na prática, haja intenção de não saber.
Ninguém se manifestou, seguindo a teoria da liberdade proposta.
Mais um tempo e mais silêncios.
Então, se manifestou pela solidariedade:
- Sobre o rigor, vale a pena mencionar a conquista de rasgos nos limites. Sem parcimônia, o que se propõe é a defesa da mobilidade e do exercício da sinergia com o ambiente. Ao mesmo tempo que a verdade seja considerada símbolo e a beleza seja negada até o seu cerne ser individualizado pela diversidade. O fazer é a própria beleza e então não há final.
Ninguém se manifestou pelo rigor proposto.
Mais alguns minutos e continuariam os burburinhos, afim de novas manifestações que se encarriam por aquele instante.
Então, quando mais fosse chamado, se manifestaria pelo desejo:
A negação na identidade é insistente. E isso é engraçado. Alguns podem pensar em patologia, mas eu acho divertido, mesmo. Veja só, se o antagonismo sempre foi a posição marcante para o que se é, quando não se é rompe-se no mínimo a barreira de ser pela complementariedade do outro.
Ocorreu que não tinha certeza.Tinha lembrado da quantidade de dúvidas apontadas.Amenizou a sinceridade e a poesia.
Um animal imaginou a imensidão - paredes silenciadas de tinta branca colorida de vinho tinto seco. Derrame, vermelho seco sobressaltado na claridade alva dos muros. Rastejou com patas e garras criativas, almejando novas posturas. A liberdade amigou-se do olhar irrequieto, planejou antever a intuição. Parafraseando o poeta, digo-lhes: "O bicho, meu Deus, era um homem".
Por fim, nada estava apaziguado. Por certo, uma guerra que nunca será findada.
A fantasia, pleno estado de espírito, nada mais é do que a garantia de inverdades sensíveis. Como se a imaginação fosse mais do que a liberdade de entendimento do mundo,fosse a equivocada e insolente prática de surrealismos sem arte. Ora, se não enaltece as tintas que sobressaem das argúrias cotidianas, nada mais são que ilusões mal concretizadas. Tudo, embora a necessidade de se entneder como parte, sobressalto da voracidade do diferente, nos obrigue a desfazer de nítidas idéias de sentido.
É bom falar isso logo, antes que se julgue o personagem de irrisório ou ilícito. Muito pelo contrário, eles não são. Não são de não ser mesmo de que cada um não é em individualidade e juntos continuam não sendo em coletivo. Eles optam pela desconstrução do ritmo rotineiro como práxis simbólica para a mediação com o estar e mais do que isso, enaltecem as obrigatoriedades como demônio antagônico, politicamente falando. E assim vão, como poder dizer de forma cabal [alguns dirão, chula], vivendo.
Um não é em lugares constantes. Em espaços de micro-poder saliente, com pequenas doses de avareza e até desejo simbiótico de altruidade. Lucra com a insensatez e permeia a vaidade como ponto pacífico nas questões centrais. Anda por andar. Duvida do movimento como necessidade e até insinua a preguiça como essencial, filha legítima da fluidez. Outro não é aqui, neste local, no visor, na luz. Não é também pelo fato de não se ver com paciência. Enigmático, é caçador de faltas comuns para se adaptar ao hostil ambiente de conteúdos, de práticas. Se diz muito habilidoso com o mover-se e então condena os limites de forma autoritária e até com certa razão.
Mais terão do que se falar deles durante esses dias.
Basta dizer que o sexo é sim uma questão e que aos poucos terão desafios para falar sobre o corpo e sobre a inocência, de certa forma.
Não!Não me arrependo do beijo não dado, da ilusão mal sentida, da forma de olhar.Ontem foi...O espaço do tempo foi sentido como se realizasse a leitura de lábios.Como se fizesse sentido a falta de loucura.Como se a liberdade não se ancorasse.O lugar do redimir-se estava em ruínas.O gosto estava, a luz estava e a vontade do tempo também.Tempo, tempo. Agindo sob a égide da misericórdia.Não te perdôo, já que eu não sei mais o que é culpa.E ainda nem sei o que me fez vir aqui em palavras.
Eu não estava aqui ontem. Me arrependo! E estou sendo sincero quando digo que estou arrependido por não estar aqui ontem.Ontem foi um lugar imaginário muito importante. Se estivesse complataria minhas emoções de forma a sorver a síntese do tempo. Pelo tempo, me arrependo. Como se eu tivesse sugerindo outra proposta para a ação. Ontem é um lugar equidistante entre a ilusão e o movimento. E estaria a singularizar a minha completude em significado. O dia que passou era singelo para ter feito. E me redimo da procrastinação simplória.
Sem mais.
- Ele deixou essa carta debaixo da porta do outro, depois daquela noite!
Surrupiou, anulou o samba das moças, segregou a ilusão do rock'in'rool. Quanto mais de sua meia verde. Punk pink de cheiro de sabão em pedras, aromatizado artificialmente com sugestão de rosas. Fazia sentido acordar - bom dia - lençol desarrumado, cuspir espuma de mentol com eucalypto, café escuro com mergulhos de biscoito maria, cabelo no espelho, chaves no cadeado de portão aberto, caminho.
- Te vi hoje, indo para o não sei aonde - Olha... nem eu estava conseguindo me enxergar nesse dia normal - Pois, pra mim não era assim "normal" pra você - Meio exquizofrênico né? - Lisonjeiro, diria. Captando a assiduidade do cotidiano, acho bonito. - E por que não me indagou? talvez fizesse sentido pra mim acordar àquela manhã. - Sorte minha se pudesse, ficou incompatível o espaço, era ambiente de movimento, construção de muitas imagens pela janela, cinema permanente até que... - Até que...? - Eu fui lá fora fazer parte do dia-a-dia. - Não é que eu não goste do rotineiro, por favor não me leve a mal. - Absolutamente, por isso achei especial a contemplação do óbvio - Nem tampouco sou filófoso, bondade sua. Talvez estivesse a observar o que me era comum. - Mesmo esse me chama atenção. - Bonito esse seu olhar.
Compartilhou. Aludiu as alegrias estampadas nas rodas e saias girantes. Optou pela distorção holulante da corda da guitarra. Romântico pitanga do cheiro de folha de mangabeira de estradeira e lençol de chita da casa de minha vó. Era dúvida ao dormir - por que trocar de roupa? Não me vejo na tv? Lençol no chão, arrumado? Quem quer pensar no dia que ainda há de vir, se vier?
- Feliz? - Juntos, diria eu! - Então feliz, certo? - Sim! No meu coletivo de cirandeiros. -Obrigado e bons sonhos!
Seus dedos dos pés às mostras pelos arreios soltos de uma sandália velha. E ia mostrando a saudade pelo sangue. Eu disse que ele estava nu e descortinado. Selvagem! E as pernas eram músculos invencíveis, daqueles involuntários que perpetuavam agonias latentes de liberdade. Pregavam de medo, como cãimbra. Mesmo assim, não parava de andar, quase transparente. Nem ruborizava quando suas grossas coxas balançavam como espasmos. Objeto de desejo dele mesmo, que também tinha às vistas suas obscenas crises de auto-piedade, nada mais que um eufemismo antropológico para o que se chamaria "narcisismo".
Ao falar de pequenos pudores, não dá pra notar que o homem tinha um pênis normal. Aquele falo elegante não era sexualizado, nem tinha marcas de expressão. Estava preso alí e exigia força, talvez até virilidade. O pau do homem, pra que todo mundo olhasse era só um signo de índice: ou seja, um homem esteve alí! E não fazia muito sentido mostrar a barriga não definida, ele não era definido, isto estava óbvio. Parecia tão natural sua indiferença às respostas que quase sempre se questionava para que serve aquele umbigo alí no meio, continuava a questionar parado em um lugar público. Suas visceras eram notáveis, manchadas de lisergia e de memórias de inconsequências cabíveis para seus momentos de construção de história. Pelo menos essa era a justificativa plausível.
O homem não estava nú sozinho, mas ele estava nú e isso era o que comovia para essa leitura. Pois mostrava os peitos abertos, lânguidos e sutis ao mesmo tempo. Como se batesse vertiginosamente uma bomba de um lado e o outro calmo não reagia. Seu lugar da sensibilidade era o peito, as argolas, as emoções, os sentimentos. Largos ombros serviam para deteminar o tamanho de braços e mãos, quase pedintes de afago. Pescoço destroçado, mal serviam para segurar a última parte do corpo em pêlo.
Olhos e bochechas ruborizados, afinal ele estava pronto para ser devorado por outras visões. Orelhas de mesmo tom de pele eram coloquiais, mas nem sempre demonstravam carinho e segurança. Traíra este homem muitas vezes. Não mais do que sua boca em carne. Lambisgóia que era, estava alí presente e pronta para uso, indeterminadamente. Nua, essa boca, assim como as palavras que ele tinha coragem de produzir, peladas! Não tinha cabelos, se vocês querem saber e então sua mente fervilhava em graus quase esquisofrênicos de ternura. Lapsos de sinapse, eletrostática em movimento. Esse homem era impuro, como o vento. A diferença é que agora o homem estava nú e ninguém conseguia enxergar.
E se acabou de ir e vir e de tanto voltar que estava sem beira. E se alongou de reunir a inerência do andar como rosa de feira. E se imaginou no rito de ruir e implantou uma liberdade de beira. E inovou na posição de cantar ouvindo mastros de bandeira certeira. E se mostrou como mágico na cisao dos segundos mandando os cortes para a luz a escuridão rotineira.
Oh pessoa fora do roteiro, realinhe seu olhar para o real, para que sua inexistência não siga reta sem curva, sem eira.
E rosnou gritos de silêncios para fazer inútil sua razão passageira. E observou atentamente a poesia que se acaba por si na praça para montar como arte a sua humildade, besteira. "Minha alegria num instante se refaz, pois temos o sorriso engarrafado"*. E não comprou sentido no supermercado, estava em falta a ilusão varejista. E foleu a revista de ação, com imagens de dragões cuspindo fogo por que a aventura era sua inteireza brejeira.
Oh pessoa longe do destino, componha um certo número de verso que estará pronto para a serra estradeira.
E depois de sentir qualquer coisa que não estava a esperar, entendeu que a imaginação é participação de si mesmo para a construção do caminho. Partiria agora para a alcunha de pessoa inteira!
Foto: Vitor Freire * Trecho da música Parque Industrial de Tom Zé
Ela bebeu um pote de sentido tosco. Não queria mais andar na rua de pijama como fazia anteriormente por que já estava crescidinha demais para se amostrar desse jeito. Se enxergou, disse o homem que vendia geladinho na esquina, na casa do me despache. Serena, se mancebou de um sujismundo qualquer, era seu tipo preferido. Podia então olhar para o pífio autor desse texto? Óbvio que não, tinha coisa mais importante pra fazer. GRITARRRRRR. Diria ela. Assim sem sucesso, renomeou a atmosfera das coisas, deu nomes diversos a solidão e acompanhou as doses diárias de uma morte anunciada, sem medo.
Conseguiu se abster das decisões mais importantes. Atravessara a rua sem olhar pros lados? Nada de mais instintivo era importante. Andava e andava e andava. E mais, ela estava des-limitada (quero João Ubaldo dentro de mim) em um rio de ilha salgada. Nesse momento cai gotas de orvalho no chão. como se as costas dela doessem sem mistério ou argúria (se é que essa palavra existe).
Aceitava o não como resposta sim. Pintava de vermelho a alegria dela para se incendiar de inocentes pensamentos excitados. Queria a malícia, queria a misericórdia. E depois de um dia dormindo sem parar para descansar seu corpo de-s-formado, ampliava a anunciação dos gêneros. E não se sentia completa. Ela, uma travesti de ponta de rua, de esquina, de beira de estrada, não tinha mais sexo... rasgadaaaaaaaaa solentemente pela esfera do natural. Empina a bunda negra chulada, dizia pra ela. E no amor egoísta se apaixonou pelo homem mais másculo da festa.
E a vida não era mais do que a harmonia de laços ergonômicos. Estava perpassado pelo jeito e ampliado pela vontade. Correu dos espaços e ainda tinha alí a voracidade de um animal abrupto. Ela que não se eximia, indolente, surrupiava a visão alheia pra si. Tinha pensado sozinha todas as frases torrenciais. Essas que cai em gotas de doer.
Até rasgar os quadros, ela rasgou. Amputou o seu pinto, filho da galinha mais florida do quintal e no final, mais macho que ela só a liberdade que cuspia na justiça. Ela dançava à distância e a virtualidade resolvia a misericórdia. - Não pressuponho estigma. Homem que sou, nem de mulher eu gosto pra ser denominado em complexo. GRITAVAAAAA. E o mundo não se acabou. O rei, esse que é o povo, está nú e eu só vejo o seu sussurro.
Ela me rende pela simbiose. Um tom sutil de saliência corporal, um aglutinar complexo, como se rede montasse a liberdade invariável. Uma opção ilimitada de carne, encorpada de vermelho vivo.
artmosferailimitadadesurpresa
-------------------mais o mistério que se renova! eu rendido!
Um aporte e um mastro colorido, nada de novo com invenção. Uma estrada longa iluminada pela energia do gole. Um pulo característico e totalmente estranho, sem força, com ânimo. Uma particularidade bastante abrangente para que todo mundo se exiba nessa sua amostragem tão coletiva. Um mergulhar fatal e inofensivamente sensual. Uma interatividade ilimitada, consciente, distraída.
Nada de mais no mundo da carne afetada. Plumas e paetês com sabor de umbu-cajá docinho. E por baixo da saia justa do homem mais másculo, tímido desejo. Um oráculo teria afirmado que de alguma forma, não me interessa mais o real.
Pelo menos, há uma semana sem máscaras, sem aspas e com um prazer ligeiro.
Daí me deixei ser beijado em praça pública, ou melhor no meio da pista quando um caminhão atrás de mim queria passar. Deixei de ouvir todos os sons. Beijei e voltei a balançar o corpo como movimento uníssono. Todos faziam a mesma coisa em volta de mim, cada um de seu jeito. Beijei mesmo e não duvido de que eu não sou mais nada de mim depois do simples fato de que eu não preciso provar nada pra mim mesmo, como se criança voltasse a ser naqueles dias.
Ah! aquela semana sem máscara, no qual o desafio era se manter vivo e em troca imensidão de sabores estariam a disposição. Violento e saudável, como se a agressividade, o ódio recolhido também fosse o lugar das sensações como doce para os olhos de criança.
Depois de beijar, sim, subi no caminhão para ver se eu ainda estava alí. E estava. E o moço que veio de longe me disse, você alí, como os outros, é o chão suspenso, é a mágica. Por isso, estamos assumindo que por mais que não ame a vibração por liturgia, me absolvo no Chame Gente. Meu coração é igual! Foto: Fernando Vivas :: A Tarde
Pelo meu bonito Carnaval, com uma linda visão do trio elétrico, esse carro que longe de oprimir, me redime e me religa! Esse manifesto de sensibilidade e nervos aflorados. Para os companheiros de publicação diária do Jornal, todos eles e elas. Para Ismael e para a querida e intensa Bruna. Para o amor e carinho que tenho pela timbaleira do meu amor, Lari. Para a parceira inteira, Celine. Para Larissa, Vinícius, Filipe... Para os ânimos bonitos de quem voltou. Para o sorriso sempre elegante de Raiça. Para a beleza estonteante de Mônica. Os abraços do querido Tiago Lima, o beijo saudoso de João Meirelles, o olhar gracioso de Camilo Fróes. As filas de Rick, Salim, San... Aos mais belos dos belos, pelas minhas lágrimas. Para Carlinhos, o Brown! Sim, Moraes, pra você que me fez sentir carne de Carnaval!
Clara aceitava a impáfia como obstinaçãoera ela simpatia na sua lógicasem demolição de argumentosconstruia histórias de inverno com fitas vermelhase pulava para espantar o tédio mas era frio, menina?- eu só quero saber de amanhãtem vaga? ela perguntaria se soubesse também assobiarpra chamar atenção.Eta, Clara imã de amores brutosera robusta para satisfazer aos homens de meia idadeou que falasse alemãopra ela ouvir filosofia baratae não entender, como hoje não entende em português.Quando crescer vai ser paisagistasem saber muito o motivoe agora estava parada espero o ouvir aglutinado de vozese então ficava triste por besteirapor ser fisgada mais uma vez pela música poppor não ter lido o clássico da intelectualidade modernapor saber a dança da moda antes de todospor ser Clara, mesmo pretamas disso ela se desligou, cansou!Registrou seu desentendimento com a sobriedadee não desvencilhou do cansaço como nobrezaassim fazia arte, como criançaaprontando (com) seu destino.E o que ela mais gostava, antes de tudoera três pontos de continuação
Ele logo me olhou com esmero, antes mesmo de eu estender o olhar para sua direção. Nem sequer pressentia aquele vislmbre. O desvio sínico do olhar o denunciou entre batuques e luzes amarelas. Era quase carnaval na cidade, era calor de janeiro. Batucada na rua para alegrar os corações alheios. Também para vender música de sucesso e manter a indústria do entretenimento. Mas isso pra ele é uma página a virar. O que mais importava era a pele escura que exalava frescor, como cheiro de flor de laranjeira no salão de samba antigo ou perfume de pitanga no cangote da menina [imagem borrada de melancia no chão caída da janela]. Queria eu que cessassem os arrepios ao sentir o cheiro das folhas de pitanga que se jogam no chão em oferenda, talvez não sentisse também a vontade que dá dos braços dele acariciando meu braço até apertar de leve a minha nuca como carinho desavisado no meio do dia. O sol nos aproxima cada vez mais, como se a pele entrasse em contato com uma energia de ligação, produção e criatividade de cores. Passam o sol se pondo, a lua cheia do mar, a areia quente que se vê da janela do ônibus, o verde dos coqueiros do Jardim de Alah. A alegria é quase uma ditadura, sorrisos abertos para a coletividade impera. No fundo, me sinto cansado, até lembrar que ele me procura pela cidade de ladeiras... *Título de música do Jackson 5
Nossas mãos se encontraram num similar toque. Algo tão inesperado como um episódio inédito daquele seriado na madrugada de sábado quando nada se tem a fazer. Felicidade espontânea. E tudo mais era um glorioso sentimento de mistério e de sorte. Havia muita coisa a ser dita e antes de mais nada havia pouco a ser proposto. Ufa, ainda temos as noites para passar em claro só para enaltecer a nossa companhia. E eu que não mais me imaginava no impulso do amor sem contenção, estava lá a admirar o momento como magia ímpar. Queria que a solidão tivesse ali a me ver naquele momento, morreria de tédio e ligeiramente se sentiria rejeitada. Particularmente, estava inteiro ali, com um palpitar sensível e uma vontade de que o olhar se ampliasse e de forma crescente como assim queria nosso pensar.
E assim continuava. Sem teto para vôos inseguros, sem chão para lisergias irrisórias. Cartas de baralho eram fichinhas, o que estava em jogo era o estar imerso um no outro. E não mais bastava, estávamos dentro um do outro, tão entranhados que se libertava de concretudes amenas. Que os outros ouvissem os nossos ruídos de emoção não nos importava, embora poderíamos incomodar com a altura da nossa falta de limite, da nossa zoada simbólica, do nosso despir-se. Desnudos, éramos só o sexo! Puro equilíbrio, tesão sem nostalgia, tensão com prazer. Encarnados na madrugada afora.
Quanto mais se ia a escuridão lá fora para um lugar descompromissado com a agonia, mais neblina torneava a luz amarelada que penetrava amena pela fresta da porta entrecortada pela persiana. Iluminava parte do rosto dele que de vez em quando se transformava em sorriso ou em rusga de apaziguamento. Observamos que não tínhamos mais relógio possível e que também não podíamos deixar de pensar que haveria de chegar o momento do sonho. Mesmo assim a nossa esperança de cumplicidade nos impedia de sair Dalí, por desejo.
Mais se colocava o toque como pincelada de palavras vãs e conversas rasteiras do que a noite nos propunha. Éramos profundos demais para requerer uma vida desassistida de encontro. Mal se podia parar de pensar no próximo momento e como era divertido passear pela simples capacidade de compreender. Era o amor ali, como paixão pelo discurso. Um beijo na alma. E tinham ali mãos encontradas, certas de que mesmo vindo o depois, sempre estará ali aquele momento como a realidade mais possível. E então, sem radicalismos morais, com alteridade assistida, rodeado por um relativismo sensato, nos amamos como carrossel em parque de diversão. E como roda, segue a vida, agora em comum.
Ele me olhou de longe e com uma saudade nos olhos argumentou qualquer coisa que fizesse um sentido para nós. Quis me dizer palavras bobas e irrequietas, na condição de liberdade saliente. Mais do que querer, ele ansiava por um olhar qualquer, sem perder nenhum sentido. Eu bem que quis tentar desviar a sutileza, mas me contentei com o abdicar. Deixou de me querer de forma efêmera.
Ele me olhou de longe com o interesse de obter mais informações, muito menos do que o carinho necessário. Quando estava a ser observado, entendi que ele me queria mais do que o tempo, menos do que o espaço em volta, como se quer a uma história coerente. Eu bem que tentei disfarçar a minha insegurança naquele momento, já que não estava a contento de suas expectativas. Deixou de me querer de jeito paciente.
Ele me olhou de longe na inventividade de um olhar para me exigir o direito de ir e vir. E eu que tanto prezo pela liberdade de outrem. Assim que ele deu uma brecha no olhar, cuidei de ter um óculos escuros, uma nova imagem a me fixar. Pensando bem era como se eu mesmo me quisesse e não conseguisse absorver o querer.
Ele, então, nunca tinha estado a me querer. Passou despercebido mais uma vez. Deixou de me querer.
Estava pronto. Parado em frente ao portão principal, estava na hora de mostrar a que veio nessa vida. Era completamente legítimo a sua investida, sua empreitada. Consegueria desde então se provocar no intuito de assumir outros papéis. Surpreendente, falaria em público sobre desenvolvimento de diretries políticas mais íntimas. Queria ter se preparado mais, mas sim, estava pronto - dizia. Sorria delicadamente por que tinha o interesse de evoluir e estava na hora exata para isso. Migrou seu destino para a razão que masi lhe importava, acreditava que saira do lugar no exato momento da emoção conflituosa, abriu o ferrolho, ouviu o zom trêmulo das grades se tocando, seus passos. Entrou...
Ato 2
Encostou os lábios atrás do lobo da orelha, pouco antes de chegar ao pescoço. Tinha suspirado. Arriscou um leve toque no rosto como se dissesse: quero sem muitas dúvidas. Deixou-se ser mordiscado de leve no queixo com poucos pêlos, enquanto mão direita firme na sua coxa. Então sua mão conduzia carícias nas costas por dentro da camiseta que subia automaticamente. Sentia volume em sua roupa de baixo, o outro também. Sangue. Movimento. Tronco nu, de costas, fungadas pela nuca, apertos e gemidos sutis. Agora nariz próximo ao umbigo...
Ato 3
Torcia para qualquer que fosse a falha no seu computador. Isso já que as vezes vem consertar hardware, mas seu sorriso parece vírus que confunde meu software pessoal e mais íntimo. Sempre o vejo com olhos de virtude e ele, com jeito tímido, entende que toda vez que o chamo é como se abrisse um aplicativo de mídia social e nossas redes se encontrassem para troca de bits e com direito a uma boa memória. Aí, tenho que desligar o pc...
Passou em frente a loja companhia das cores no centro da cidade e decidiu entrar. Logo foi recepcionado por uma atendente. Depois de avistar uma caixa de lápis de cor bonita, pontas afiadas, diversidades de cores pediu:
- Você pode me mostrar a caixa de lápis de cor?
- Óbvio, disse a atendente. O senhor fará muito bom proveito dela, penso. Continuou ela...
- Quiça farei. E pensou: Será mesmo. E retrucou: Ainda fico no exercício de tentar ilustrar pensamento menina. Sou ainda bem iniciante, mas não vazio. Sei o que quero dizer, mas tenho que me concentrar pra dizê-lo de forma consistente, os meus riscos são resultados de leituras ainda por amadurecer. Foram escolhas e oportunidades a feitas. Essa caixa não me dará redenção, mas me proporcionará caminhos simples de outras descobertas com as novas navegações. Poderia horas falar de minhas outras incertezas, mas não tomarei seu tempo.
- Já embrulhei a caixa para que leves. Agora a saber, a falsa modéstia é a forma mais primitiva de esconder a falta de coragem. E você está certo, o medo não significa o vazio.
- Quanto é? Cortou o assunto...
Deixou de andar pelo centro da cidade pra que cena como essa demore a acontecer de fato.
Prôpos um pacto de silêncio... psiu!!!! olhando ao redor vestia-se de armas de flor de lótus para se certificar que nada o alncançaria. Solidão. Um correu para o lado de onde o vento não vinha para enlaçar folhas verde macio. Outro se manifestou por dois grandes motivos: a libertação de seus desejos e a maturidade de sua infância.
Perdeu os méritos no meio do caminho. Segundo especialistas, não há o que temer quando se logra algum desperdício de tempo. Ao contrário, coragem rapaz! A inexistência da verdade lhe propõe dessa mesma forma um universo de encantamentos que pode ampliar as visões a partir desse momento, adiante. Eu que não sou sozinho, me busco nas intermitências dos carinhos alheios, pensou de forma abrupta e num canto qualquer.
Ah! o amor, deveria descorrer aqui sobre o que esse desafio proporciona de mistério. Mas é isso mesmo que parece a loucura. O MISTÉRIO, como a fantasia, o é. Não optou pelo momento de normalidade, acorrentou-se e entendeu que as realidades confortam a sabedoria. E quando se olhava no espelho orgulhava-se de batatas da perna, do prazer que sentia pelas coxas grossas e por ser homem. Gostava do pênis entre as pernas, gostava de fazer a barba - por ela existir. O outro não muito, já que se percebia feio.
- Beijou o espelho.
- Andou pelo jardim estático onde observava outros.
Vai continuar pelo meio do caminho seguro. Agora, distante de realidade, um abraça o outro, choram pelo conforto e são alegres em diversos momentos como se sentiam alí. Um abraça o outro felizes naquele momento, como tristes em diversos outros. Um toca o outro como se o prazer fosse merecido e como se o gozo fosse memória. Arrepiou a pele:
ando muito por essas noites, comentando fatos livremente. Embora soubesse de mim andante, ainda precisva encarar o fato de que o caminhar não siginifcaria muito sem que viesse consigo a produção dos passos que deixaria legado. E seria total absurdo destinar o momento lírico para qualquer sentimento. Já diria o poeta que a emoção vem depois da palavra escrita e nela contida sem esmero. Portanto, NÃO PROCURO MAIS A BELEZA. Não me faz sentido o bem fazer. O exercício por si só nesse momento é igual ao que poderíamos convocar como sinceridade, esta a única possibilidade de ascensão espiritual. O experimentar como o próprio caminho, a rigidez como a mecânica do dar passos, a árdua e voraz missão de andar.
POIS QUE SE INSTALE A SENSAÇÃO como prática do meu processo criativo. Que o tato me guie pela compreensão das minhas argurias na vontade de expressar com traços uniformes e divergências de cores o que aparecer no papel em branco.
A desformidade é o que me excita no dia de hoje. Já que não posso prever nas minhas células o que me congrega de experiência no estado/tempo de amanhã. Quando vejo paisagens construída com esmero não me significa tanto quanto quando percebo a proeficiência na arte que se tem a dizer arduamente. É como se fizesse parte do meu esquema de sentido ter prazer com aquilo que em minha visão/paladar/audição rui em desagravo com a certeza absoluta ou a imedieata decifração.
Inexiste em minha agora visão de mundo a CONSTRUÇÃO ERETA DE INTELIGÊNCIA, mas sim há a desconstrução de ligações frágeis de conceitos, já que se proliferam imagens em detrimento de criatividade. Mas as imagens existem em liberdade e elas que se renovem em sua habilidade de compensar o vazio.
Já que eu tenho o que dizer, falarei somente pelo silêncio. E nada fique dito por dito. Se minha arte é a minha salvação, minha raiva desmascarada, minha ousadia de não ser, minha ILUSÃO secreta. Então, minha arte é o meu exato não entendimento.
Com carinho,
Ela.
P.S - se a palavra perfeição povoar indexamente essa carta ou lhe parecer próxima, me perdoe, estava com sono e nem fiz revisão antes de enviar-te.