24 de setembro de 2008

Um homem de sonho - parte II


Nem sequer pensaria no simples ao chegar lá. Lembraria que batentes não são obstáculos em si, mas a própria decisão de alcançá-lo. sorriu ao sugerir um fugir da realidade, mesmo já estando do outro lado, mesmo escolhendo sem ao menos ter qualquer certeza de que naquele outro espaço oposto saberia, leria, viveria mais outras experiências inovadoras. Bem verdade que facilitaria caminhar por este lado, levantou essa ressalva, mas o que poderia encontrar nesse novo caminho? apenas uma estrada? Outros tantos de beleza? Aguçado desejos de ter? Distraiu-se com a própria calçada, com o sincornismo dos pés que passava (também olhando onde pisava). Podia voltar, mas não mais interessava o antes, apenas como um soluço de vontade de saber o por quê de estar caminhando. Movia-se pelo caminho acelerando mais cada passo, sem ter tanta pressa. Corre-se pelo tempo nas vias da cidade e o tempo não parece sequer se preocupar com esses presságios de vontade voláteis e correntes. Para saber, o tempo lançaa enigmas maiores do que a própria matemática e a filosofia juntas, já que nele tem os espaços e os outros contidos em um conjunto metafórico. Liberou os braços pra fazer movimentos maiores sem atropelar o andar alheio. Assim poderia olhar mais suas próprias mãos, suas próprias delicadezas no seguir, suas sensibilidades. Andar, pra ele por dentro da cidade, tornou-se rio em si. Como um desaguar límpido e taciturno ao saltar as pedras e desviar-se do que vem adiante. Pelo movimento, ainda pensaria um pouco mais antes do chegar contínuo.

Ilustração: Igor Souza

5 comentários:

M. disse...

Você é lindo!

Franklin Marques disse...

inesperadamente poético.

Larissa Santiago disse...

e os pés a deslizarem pela calçada fazem um balé, já reparaste?
beijosssss

Monica disse...

Senti sua falta e vim te ver por aqui.

Vida Oliveira disse...

Pois que fazia tempo que não vinha aqui e, qnd cá chego, enconro tanta poesia...
que lindo!
beijos.