2 de agosto de 2009

dois quartos de leitura


A terceira página do livro ficou marcada durante vinte e sete dias. Foi quando tomoou coragem pra continuar a saber do que era fato. Mal acostumara as inverdades confusas, mas confortantes, puseram em suas mãos algo que o mobilizara sem intermédios; sem subterfúgios. E seguiu-se os dias com a promessa de que a tolerância não cabia mais numa existência com sentido. Corrompeu todas as liberdades que quisera e foi caminhar sem rumo para um lugar certeiro. Urge a necessidade de intuir a decisão de não estar, como se algum dia soubesse alimentar o desejo com migalhas de almas que ficam espalhados pelos cantos do que achou de beleza.

O cotidiano, seria ele mais orgulhoso, o destino. Mais perspicaz do que a simplicidade. E foi aceitando a sua própria imperfeição como limite.

Ora, faz parte da vicissitude do pensar coerente a ilusão de não ser em espaços comuns aos olhos? Se houver resposta, que não se concretize em ciência, basta o querer como alento, deixa que a literatura seja mais abragente que a imagem e então faça a verdade escorrer pelos olhos como assim o fez limpando lágrimas com papel toalha verde.

Há uma máxima do desejo, a de ser proporcional a dor. Como não se sabe da existência do cotidiano sem marcas doloridas, presume-se que se possa ir esquecendo alguns desejos menores (?) como pássaros que se esquecem em galhos urbanos, ou frutas que se esquecem nas calçadas de feiras livres. Mas o querer é mais que a simples decisão de não ter mais dor e a guerra entra paz e movimento sempre vai acontecendo para que a complexidade de criar sentidos se torne aprendizagem. Faz parte do caminho, propõe-se, que os livros [naturalmente aqueles que povoem o corpo riscando a pele por dentro] assumam seu papel carrasco e lisérgico.

Minha leitura é a minha pátria, diria. E então minha compreensão de mim seria palavras em profusão.

Um comentário:

M. disse...

Saudades suas! Vamos nos ver! Bj