6 de março de 2010

Puta homem de esquina


Ela bebeu um pote de sentido tosco. Não queria mais andar na rua de pijama como fazia anteriormente por que já estava crescidinha demais para se amostrar desse jeito. Se enxergou, disse o homem que vendia geladinho na esquina, na casa do me despache. Serena, se mancebou de um sujismundo qualquer, era seu tipo preferido. Podia então olhar para o pífio autor desse texto? Óbvio que não, tinha coisa mais importante pra fazer. GRITARRRRRR. Diria ela. Assim sem sucesso, renomeou a atmosfera das coisas, deu nomes diversos a solidão e acompanhou as doses diárias de uma morte anunciada, sem medo.

Conseguiu se abster das decisões mais importantes. Atravessara a rua sem olhar pros lados? Nada de mais instintivo era importante. Andava e andava e andava. E mais, ela estava des-limitada (quero João Ubaldo dentro de mim) em um rio de ilha salgada. Nesse momento cai gotas de orvalho no chão. como se as costas dela doessem sem mistério ou argúria (se é que essa palavra existe).

Aceitava o não como resposta sim. Pintava de vermelho a alegria dela para se incendiar de inocentes pensamentos excitados. Queria a malícia, queria a misericórdia. E depois de um dia dormindo sem parar para descansar seu corpo de-s-formado, ampliava a anunciação dos gêneros. E não se sentia completa. Ela, uma travesti de ponta de rua, de esquina, de beira de estrada, não tinha mais sexo... rasgadaaaaaaaaa solentemente pela esfera do natural. Empina a bunda negra chulada, dizia pra ela. E no amor egoísta se apaixonou pelo homem mais másculo da festa.

E a vida não era mais do que a harmonia de laços ergonômicos. Estava perpassado pelo jeito e ampliado pela vontade. Correu dos espaços e ainda tinha alí a voracidade de um animal abrupto. Ela que não se eximia, indolente, surrupiava a visão alheia pra si. Tinha pensado sozinha todas as frases torrenciais. Essas que cai em gotas de doer.

Até rasgar os quadros, ela rasgou. Amputou o seu pinto, filho da galinha mais florida do quintal e no final, mais macho que ela só a liberdade que cuspia na justiça. Ela dançava à distância e a virtualidade resolvia a misericórdia. - Não pressuponho estigma. Homem que sou, nem de mulher eu gosto pra ser denominado em complexo. GRITAVAAAAA. E o mundo não se acabou. O rei, esse que é o povo, está nú e eu só vejo o seu sussurro.

Foto: Tiago Lima

4 comentários:

Franklin Marques disse...

rapaz, gostei muuuito desse texto, muito!
afff/aveee... muito!

Raiça Bomfim disse...

Um estampido, de revelar o que há por trás do detrás.

Tiago Lima disse...

e olhe onde minha foto veio parar. que honra!
e o mundo não se acabou.

grande beijo!

Celine Ramos disse...

Que desamarra. Coisa solta. Um grito largo. Rouco, mas sai.