21 de abril de 2009

Conversas de pé de ouvido


Ocultaram-me as divagações alheias e eu, que não sei de meia dúzias de palavras, estava no mensageiro instantâneo, sabendo de tudo rapidinho e manêro. Foi isso então, o saber que estava alí estabelecido tinha a ver com a identidade alinhada, nada mais me pertencia se não a emoção de me ver sabendo de si mesmo, em outrem. Quanto mais as digitais digitavam [mesmo tendo aparecido sapos na sala, mesmo não tendo visto o filme na tv], mais palavras como semânticas avançadas me fugiam de mãos. E tudo não passava de imaginação de conhecer o outro lado como eu mesmo não o sabia de mim. E podiam voltar enxurradas de letras depois de aberta a represa de luz que continuava ali despertando a emoção de não se saber ignorantemente exdrúxulo. Moraria na filosofia dela ou dele, lamberia a própria emoção transitória, salvaria com respiração boca-a-boca o tom robusto dos argumentos proferidos. Meio confuso, suspirou para si mesmo várias vezes sem ter microfones para ampliar a voz, tinha também que saber do tempo e isso era limite. Sempre fica no final das contas como aquele insaciável pela conversa como se para se sentir pertencente ao mundo alheio. E então não tem mais limites. Nem queimar por dentro, nem pertubar o sono. Também estava disposto a parar de ouvir o que viria pela frente - eles que disseram tanto num dia grande, um dia cinzento - e as referências que ficassem em seu devido lugar do pensamento. Tentativas de continuar livre, interrompido e cinético. A vivacidade e o estar complexo nunca foram assim suas grandes fortalezas. E, pra finalizar tudo, não sabia se entendia muito bem o que lhe falara, pois, para ser sincero, não sabe de nada sem modéstia nenhuma. Graças a Deus.

ilustração: meu lugar de imagem

Um comentário:

Henrique disse...

Olá!
Sobre sua postagem lá no Janelas.

Desenvolvemos o trabalho do Cria aqui em Pernambuco desde 2002. Grande coincidência!
Vc pode saber mais sobre nosso trabalho aqui no nosso site: www.geracaofuturo.org

Bom ter vc no Janelas!
Abraço!