20 de abril de 2009

Mistério de quem tentou pensar sem palavra.

Anuciava o começo, concordo - acho que não mais do que sinceras promessas há de puritanismo cartesiano. Corta-se os laços e derrama sentido no que não se escapa! Corte! há a liberdade e sim todo o positivismo. Tem um momento, pensou ele, que nada se começa com um ponto... tudo vem de antes e há até um espaço para se pensar e aí rosnou paciência sem pensar em como o leria outros [e se os leriam outros, imaginava]. Esperava por ninguém, essa era a sua grande missão e se completa a serventia nesse processo tinha passado de inteligência a fio para intolerância irônica. Resultado, ia perdendo os amigos ao longo do caminho, já que queria exercitar a simplicidade.

- Calma aí, indagou,
tudo o que se produz de sensibilidade vai parar onde? Estava acostumado a tentar usar menos o "não" no pensamento, mesmo sem saber se ia dar certo. Para se socializar, não administrava idéias complexas, absurdos imaginativos e assim por conseguinte, teria o entendimento alheio como produto de vida. Massa, já sabia do que não queria e ousou gritar que não era mais o mesmo nesse exato instante. Ainda queria ser mais simples, chamar para perto Antônia da livraria e até fazer poesia para Zé.

"O que tomaram não era seu, José,
que de ninguém nada se tira"*,

mas isso de exercitar a poesia do cotidiano era pra quem já tinha evoluído. E ele mal sabia administrar seus desejos, podendo até ser convocado ao réu de superficialidade. Era mais gráfico que cantante
[tossiu duas vezes para exercitar o coração, beats de silência alterado em compassos e só asism musical se podia tornar, como tambores do Olodum ritmados no qual mais se prestava atenção nas cores do som. E estava unido ao som do timbau.] e assim era mais insinuante, mesmo que fingisse sabedoria excessiva. Tinham outros que viera nessa vida para ser e ele tava na vontade ainda de querer ser...
[...] emancipara o pensamento. Leitura de outros contos que não sordidos e mais profundo que a própria palavra de leitura.

Nunca tinha sido mais feliz sozinho e, no futuro, pensava em viajar para entender isso ainda melhor. Até convites foram feitos. Viajar é escrever junto com palavra de cor, sonhando-se pintores de mapas letrados.

* Trecho do poema An-dar de Raíça Bomfim
* Ilustração: Igor Souza

- ouvindo Olha o Menino de Caetano e lendo Aprendizagem ou o livro dos prazeres de Clarice
- para Raíça, pela saudade.

Um comentário:

Celine Ramos disse...

"eu sou o que vocês são...não larga da minha mão"

Eu senti uma liberdade nesse texto. Querer ser feliz sozinho.