11 de abril de 2009

Eu que não sou artista, imagino...



Ele não sabia muito bem da arte do traço. Apostou na sua sensibilidade para tentar criar. Isso por que não tinha uma causa para que o fizesse e assim tornaria sua propensão criativa um pouco mais sincera. Algo que não envolvesse uma lógica perniciosa ou carregada de um sentimentalismo que operasse na vontade do belo. Tudo o que queria era fazer existir a partir de pensamentos simbólicos e liberdade nas mãos. O que teria como consequência, pensava que não queria muito saber, mas tinha aí uma concreta realidade criada, ou seja, um desafio de se fazer criador. Então não se tinha muitas alegrias, mas também nem muita dor. Apenas uma concentração fatidica, como a paixão sugere. Percebeu aí que o ato de criar se ligaria (re-ligare) ao que se chama "desejo", a volúpia ardente da vida.

O papel em branco, metáfora bem desgastada, não lhe dava nenhum medo. Muito pelo contrário, lhe ensinava a operar, como num ato cirúrgico. Tinha tranquilidade em pensar o espaço e os passos que daria pra desenvolver o que se queria alí nquele ambiente. Rasgou de ponta a ponta aquele lugar com a grafite do lápis fino até dar o tom da estrutura, a base. Argumentou antes a idéia pra si mesmo antes de escolher cores e tinta.

Esboçou algum desenho, ficou lá sentado a produzir e não se arrependeria de nada até o final. Talvez de algum traço mal feito ou inacabado, mas mesmo esse fazia sentido. Como se em algum momento relutasse por pensar não em palavras, mas em sensação de cores em desordem, manipulou seu objeto final sem saber se tinha realmente chegado no fim.

Pensando melhor, não podia se chegar a nenhum final alí. Não teria sentindo se aquele trabalho se reduzisse a contemplação única daquele criativo que compôs. Lembrou dos grupos de Jazz livre que da improvisação faz uma obra sem necessariamente prever o fim, não que ele não seja importante, mas é que o fim não seria a obra. E concordou.

Esperou um tempo para secar, fumou um cigarro na varanda depois que tomou um banho e se preparava pra pagar as contas quando o telefone tocou. Conversou com ela durante um tempo, falou que estava conhecendo uma galera nova que queria que ela conhecesse. Uns músicos diferentes, tinha também uma galera meio pop que conseguia falar da política administrada pelo governo de centro da europa ocidental. Na verdade ficou querendo um convite, não veio. Daí aproveitou pra falar de sua composição e que quando tivesse tempo e desvio de solidão acompanharia numa cervea num bar novo que tinha aberto perto do centro da cidade. Saiu de casa com as contas e depois do banco foi pro cinema descobrir que ainda faltavam coisas a serem criadas. Ficou com vontade de voltar pra casa e assim o fez, andando. Acabara de se apaixonar de novo pela vontade de criar.

3 comentários:

Fernando Medeiros disse...

Quando vc foi do banco para o cinema e descobrio que ainda haviam coisas para serem criadas eu descobri que eu queria criar!! minha produção cinematográfica começou com um micrometragem pro festival do minuto. interessante vc se aventurando no papel e eu nas lentes.
vê lá no meu blog!
abraços

ps. sabe de que é atrilha sonora né??

Fernando Medeiros disse...

Tô vendo teus videos!! tu é foda!!

o site do Minuto Brasil bloqueou meu video pq não tenho autorização do radiohead pra botar sua música na trilha!! :P
né foda!!
vou compor minhas trilhas no violão e gravar toscamnete agora!!!
hauhauhauhauha

Franklin Marques disse...

será artista?
ser[a]rtistar.....ser artista.