30 de julho de 2013

Atraídos pelo sonho


(...)

Corre, vem pros meus braços feito criança em sorte.

E assim o sonho rebateu o diálogo:

Ele - Não mais faz sentido a ilusão de querer, sobretudo em tácito presente de compaixão. Lânguido, não sou mais tão disperso quanto deveria...

(interrompeu o outro)

Ele (outro) - Calma aí, não me peça nada além do que você mesmo não pode me prometer. Veja só esse arrepio todo da pele, signos insolentes de um desafio demarcado pelo carinho. Vê se pode voltar atrás assim de tudo!(?)

Ele - (esbaldando-se em gargalhadas) As palavras nem sequer parecem tão risíveis, mas eu estou a te olhar profundamente nos olhos e interpretar um futuro sem sentido.

Ele (o outro) - Isso só pode ser masturbação mental. Um rodopio imerso em um contingente solitário de vícios passados, nada mais. Só pode ser desejo, só pode.

Ele - E daí que fosse? Eu não quero a sorte natural de braços apertados frente aos meus... quero a pluralidade da paixão sobre minha alma soberba e impaciente, tentando raptar qualquer que seja a vontade plástica de suas entranhas.

Ele (o outro) - Como se eu realmente fosse livre...

Ele - Como se você optasse pela paixão desmedida usual. Se deixasse levar pela rasteira do passo em falso que é o encontro.

(Tinha uma outra pessoa, Ela, que não conseguia falar, mas que atentamente se deixava levar pelos argumentos)

Ele (o outro) - Eu sei, eu sei! Minha angústia é assumir que estou melhor do que antes, mesmo sendo antes o melhor pra seguir. Não dá pra disfarçar.

Ele - Você está como eu.

Ele (o outro) - Eu estou assoberbado, na verdade. Não tenho mais tanta voz, tenho confissões intermináveis e desabafos constantes a produzir. Nesse caso, acho que não sei mais se me atrai o novo.

Ele - Nesse caso, meu amor, o que me atrai é um novo par de calçados comum. Uma boa cerveja gelada e um pensamento complexo sobre as coisas simples. Me atrai você.

Ele (o outro) - Me atraia!

(Ela continua a ouvir atentamente, e só.)

Tudo isso, como se fosse sonho....

Ilustração: Vânia Medeiros

Um comentário:

Rodri Nazca disse...

Diálogo inspirador...