15 de abril de 2006

ilusionismo...


Eram 6h25 quando ele acordou. E tanta foi a sua surpresa que deu de cara com o samba que ela tinha escrito perto do sofá. Ela estava lá tocando no seu pandeiro improvisado. Ela estava com ele mesmo! De súbito ela levantou com sua saia rodada e simplesmente dançou tocando seu pandeiro feito de madeira e pregos ainda em acabamento. É que ela comôs um samba parecido com Noel e cantando com Nara Leão. Sua voz aguda estava perto dele, muito feliz por a ter alí por perto. É que significa muito ter alguém por perto nesse momento. E ela muito feliz por tocar e cantar o samba que ela mesmo compôs. Então era só felicidade. Ele tambpem levantou, aprendeu a letra, cantou e dançou, rodando até cair de tonto no sofá. Estranho, mas ele acordou novamente. Não tinha samba. Não tinha ela.

"Solidão é lava que cobre tudo
Amargura em minha boca
Sorri seus dentes de chumbo
Solidão palavra cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão
Desilusão, desilusão
Danço eu dança você
Na dança da solidão"*

Eram 6h25 quando ele acordou. E para sua surpresa ele tava alí, só fitando seu rosto o esperando acordar. Quando abriu os olhos um lindo sorriso se abriu com um sonoro e feliz desejo de bom dia. Ele sorriu de volta sem pestanejar, afinal o outro estava alí parado com um grande sorriso no rosto. Além do bom dia um abraço sentido com direito a carinho feito com as mãos nas costas. Antes de levantar os dois deitaram juntos e ele recebeu um lindo cafuné. Mais. Palavras de carinho, de compromisso em estar sempre por perto. Um súbito levantar e o outro foi fazer café. Ele foi no banheiro, lavou o rosto e ouviu o outro cantarolar Caetano na cozinha. Um cheiro de café foi aromatizando o ambiente. Pães quentinhos, menteiga derretida. Eles foram para a sala, sentaram perto do sofá, olhou um para o outro e sorriu, como se estivesse no mais sublime momento de satisfação de desejos mútuo. Estranho, mas ele acordou novamente. Não tinha café, não tinha beijo carinhoso, não tinha ele.

"Meu coração não se cansa
De ter esperança
De um dia ser tudo o que quer
Mão coração de criança
Não é só a lembrança
De um vulto feliz de mulher
Que passou por meus sonhos
Sem dizer adeus
E fez dos olhos meus
Um chorar mais sem fim
Meu coração vagabuno
Quer guardar o mundo
Em mim"**

Já são 8h45 e ele não sai da ilusão de não estar só. Como se a felicidade se compusesse de não ter a casa vazia, de ouvir sua voz, de ter abraços infinitos no qual se deslocaria para um outro espaço-tempo significativo. Ele preferiu ficara sozinho, lembra? Foi sua própria idéia. Daqui há instantes tudo muda, pois há rádio e microfones. Sua voz tem outra dimensão. Não preenche, mas faz do tempo um excesso de velocidade. Ele vai fazer samba e tomar um café sozinho.

" Não me deixe só
Que o meu destino é raro
Eu não preciso que seja caro
Quero gosto sincero de amor

Fique mais
Que eu gostei de ter você
Não vou mais querer ninguém
Agora que sei quem me faz bem"***

Não, ele não vai deixar-se só. Bem como o é em pedido!


Ilustração :: Vânia Medeiros

* Trecho da música Dança da Solidão de Paulinho da Viola
** Música Coração Vagabundo de Caetano Veloso
*** Trechos da música Não me deixe só de Vanessa da Mata

3 comentários:

carol disse...

"...solidão, olha, a casa é sua..."

solidão amiga!
quero compartilhar dela contigo, amigo, passarinho das lindas palavras....

te amo!
beijo

van-van disse...

"Ele foi no banheiro, lavou o rosto e ouviu o outro cantarolar Caetano na cozinha. Um cheiro de café foi aromatizando o ambiente. Pães quentinhos, menteiga derretida."

essa sensação de manhã, esse cheiro, acordar com quem se ama... acho que isso é o paraíso. Tai, se eu conseguisse desenhar essa sençação eu morria feliz!!!


te amo!!!!!!

Raiça disse...

Eu ia lendo e visualizando tão claramente a cena que, de repente, já não sabia mais se eu tava lendo ou tava vendo... Sei que achei lindo... Lindas palavras, linda a imagem que as palavras projetaram.
E tu, lindo demais!