24 de abril de 2006

Santa Chuva*


Da perspectiva que tenho aqui, muita coisa se pode observar. Parado em frente ao portão do grande caminho, muitas coisas a se notar. Principalmente por que os sentimentos são mutantes. Pode-se ver diferente sempre. É que você estava diferente. Mais disposta a vivenciar todas as experiências de sensações a quais os momentos irão proporcionar. O clima ajuda. Um momento perfeitamente intimista, um calor que só saia dos poros em comum. E você ali, agora parado em frente a porta a cantar a poesia detalhista do cotidiano paradisíaco. Você estava alí no seio do ambiente sendo mais o território do que ele em si. Estava tudo preenchido nesse espaço. Era o que faltava naquela sala de estar, perto daqueles móveis de madeira, do violão encostado no sofá, até do reflexo no vidro de cor de gente. Eu apenas tive a oportunidade de te contemplar. E era evidente que você não era um só! ficou mais que claro que, de fato, tinha mais que dois olhos, mais que os dois braços. De certo encontrei vários naquele momento!

"Amar: Fechei os olhos para não te ver e a minha boca para não dizer... E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei, e da minha boca fechada nasceram sussurros e palavras mudas que te dediquei.... O amor é quando a gente mora um no outro."**

Daí, você que são vocês, passaram de repente por aquela simples avenida de madeira. Era uma ponte para ser sincero. Eu os via tão vivos, quase uma ordem de sair da cadeira e admirar beleza. Naquele lugar de sentimentos, eram aqueles corpos, mentes e coração. Aquela ponte sempre dialética não os deixava transitar sem questionar os limites impostos. De quem é o momento de atravessar? quem está pronto? Mas não demora muito para que o desfile se desse de forma única. Agora vocês era simplesmente você que não exitava em passar. Objetivamente! E eu queria apenas estar alí. Aprendendo a estar e a passar quando da vontade acontecer. Depois de segundos de contemplação não demora para que se torne (tornem) qualquer sentimento de nos deixar parecidos, nos deixar sem palavras, nos deixar mais próximos. A subjetividade é leal a proposta do ritmo que se desencadeava. Era estar mais próximo do amor de dentro!

"
Pra se viver do amor
Há que esquecer o amor
Há que se amar
Sem amar
Sem prazer
E com despertador
- como um funcionário

Há que penar no amor
Pra se ganhar no amor
Há que apanhar
E sangrar
E suar
Como um trabalhador"***

Porque quando acontece de estar bem próximo a cova de seu rosto me indagam sobre o que cabe no seu sorriso. De gosto de limonada no verão litorano. A insustentável sensação da necessidade crucial de que um carinho podia saciar toda sede, toda fome, todo o desejo, toda dor. É que quando você passa, meu bem, a alegria toma conta da eneriga a se canalisar. Várias arquiteturas se formam. Por que são novos espaços e novos objetos dos sentidos. É que na sua humildade de rosa e cravo, o poder mesquinho é futilidade e todas as mazelas são dignas de não terem justificativas. O exemplo mais simples qu se pode dar é do acender a luz quando são seus passos pela calçada. De concentração da leveza e, assim, da naturalização do sentimento purificado.

" Quando o amor
Quando o amor tem mais perigo
Não é quando ele se arrisca
Nem é quando ele se ausenta
Nem quando eu me desespero
Quando o amor tem mais perigo
é quando ele é sincero"****

E, posso ser sincero, ainda bem que chove lá fora para que você não vá embora e fique mais tempo de alma colada em mim.

* Música de Marcelo Camelo
** Poesia de Mário Quintana
*** Trecho da música Viver do Amor de Chico Buarque de Hollanda
**** Trecho da música Amor Amor cantada por Maria Bethania

4 comentários:

carol disse...

menino lindo...descobri uma canção que me lembrou você! Fala sobre nós, passarinhos sem ninho, e de tantos ...

Amo-te, amigo!

Pássaro sem ninho
(Luiz Melodia e Ricardo Augusto)

Caminho devagarinho
Cantarolando a canção
Sou pássaro sem ninho
Vagueando o coração
Feito o rumo da água
Que desfaz na areia
Ondas de ilusão
Ser a doce verdade que invade
Quero mais viver
Se toque pra saber
Canção saideira, maneira
O rumo é chegar lá
Numa derradeira aventura
O rumo é chegar lá
Na sombra da laranjeira
Descanso pra atravessar o mar
Numa aventureira aventura
O rumo é chegar lá

Senhor Borboleta disse...

é sempre bonito ver seu texto. as palavras boiam, tremem na tela, e tenho ligeira dúvida se não olho para a água, o mar do solar. Amei como você estrutura a narrativa para falar do amor - você e eu, eu e você, você e eu, eu e você... seu texto é mesmo vc. simplesmente lindo.

Raiça disse...

Brigada por ter me dado o prazer de, estando aqui fechada no quarto em frente ao computador, ter tido o doce prazer de ver a chuva caindo da forma mais linda... Contornando as coisas, revelando as auras, inspirando o zelo, segurando o tempo, instensificando os cheiros, os pêlos e o desejo...
Sua escrita me deixa fascinada!
Te amo
Te amo
Te amo muito!

Diva Brito disse...

Não tem como não emudecer diante do que vc faz, do jeito que domina as palavras, que transforma todas elas em petálas de flor.

Diante de tanta beleza d'alma até deus se emociona... E eu aqui me despedaço em um mal-me-quer!!!!

É complicado receber sempre elogios, mas me perdoe a crítica literária....vc é indicutível!!!!

Muita Luz!
Fica na paz!